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terça-feira, 17 de outubro de 2017

Cadê a oposição?



                                                       Dario Franco


290 dias depois da posse da nova administração na Prefeitura Municipal de Baía Formosa, o município ainda continua sem oposição.
E precisa?
Sim! Precisa!
Ser oposição é uma atribuição e uma responsabilidade políticas.
E se é uma responsabilidade, e não está sendo exercida, a oposição está sendo omissa. E a prevaricação é tão condenável quanto a falta de moralidade pública.
O PMDB e o PDT, cada um com seus partidos coligados, disputaram e perderam a eleição para o comando do Executivo Municipal. Venceram o PSD e os coligados.
O PMDB, o segundo partido mais votado, ganhou, por isso mesmo, a liderança da oposição.
Está o PMDB liderando a oposição?
É preciso dizer que uma oposição não torce para que a administração, que ganhou o voto da maioria dos eleitores, não dê certo.
Pelo contrário, a oposição tem a responsabilidade de apontar os desacertos que prejudicam a administração pública, vigiar a moralidade pública e até de propor programas para que o Município se desenvolva para o bem de todos.
Oposição não se confunde com torcida. Torcida é para o futebol, não para a política.
E há quem confunda uma coisa com a outra?
Há sim.
Tenho acompanhado, pelo Facebook, o que a população tem denunciado. Muito recentemente, por exemplo, para não me estender, uma página pôs em debate – e eu debati também –  a improbidade da gestão atual no que tange à autorização de construção de uma barraca particular em área de domínio público. O caso Herói, como ficou conhecido.
Como se comportaram os partidos de oposição e como reagiram os vereadores que integram a oposição na Câmara de Vereadores de Baía Formosa RN?
Terá sido somente nesse caso que o princípio da impessoalidade da administração pública Municipal – vide Art. 37 da Constituição – foi violado nesta administração?
 Parece-me, salvo melhor juízo, que não.
Os prédios públicos, por exemplo, estão pintados com as cores do PSD 55.
Entretanto, até a data de hoje, 17/10/2017, nenhuma ação contra esse tipo de transgressão, ou contra qualquer outra, foi ajuizada junto ao Ministério Público, nem pelo PMDB, nem pelo PDT e nem pelo PPS como tentaram ardilosamente me fazer crer.
Não é a Justiça que é lenta, somos nós que nos negamos à responsabilidade de uma oposição necessária, justa e benfazeja para o Município.


Baía Formosa RN 17/10/2017.

sexta-feira, 29 de setembro de 2017

A culpa é do teclado.



           
          
                              Dario Franco

Maristela pediu ao maestro que entoasse de novo “pra mim pegar” e eu, impulsivamente retruquei: “pra eu pegar”.
Estávamos ensaiando Va Pensiero da ópera Nabuco no Madrigal da nossa escola.
Tínhamos em torno de dezesseis anos, se tanto. Eu sabia que Maristela conhecia aquela regra do português culto, tanto quanto eu.
Furiosa, ela ficou quase um ano sem falar comigo por conta daquela minha estupidez, ou intemperança, ou agressividade, ou falta de compreensão, ou desrespeito, ou intolerância, ou, quem sabe, zelo, que podia ser também.
Pois bem! Ao longo da vida eu entendi que, paradoxalmente, gostamos de corrigir o português do outro, mas ficamos furiosos quando nos surpreendem numa derrapada.
Justificamo-nos prontamente com “português é uma língua difícil”, ou com “uma língua que vivem mudando a gramática”. E agora, se nos flagram na escrita descuidada, creditamos a inadequação ao “teclado inteligente” que sempre nos “apronta” como me disse Jedson.
Educação entre nós sempre foi coisa da classe abastada. Saber o português é ser identificado como integrante da classe abastada. Por isso, analfabeto é desaforo. Insolência porque nos identifica com o segmento mais pobre da sociedade.
Zezé de Camargo, com o dinheiro que amealhou, ganhou sabedoria e conhece história como uma autoridade. Como Zezé de Camargo, meus amigos abastados são peritos no domínio da língua, mesmo sem terem lido a gramática enfadonha.
Supremo desaforo é ter o filho na mesma escola do filho do faxineiro da minha loja.
O domínio da língua está restrito à fatia mais abastada. Aliás, o saber.  
E só.

sábado, 23 de setembro de 2017

Denilson Jackson



                                                                                       

                                                                                       Dario Franco




Em tempos de fotografia digital – até o final de 2014 o Brasil era o 6º mercado de smartphone – registra-se tudo e mais alguma coisa.
E em meio a tanta fotografia, ontem eu me deparei com um artista, Denilson Jackson, que, com um celular, põe arte onde a gente apenas tenta. Vi duas fotografias dele aqui no Facebook.
Não o conheço pessoalmente, mas é um gigante de sensibilidade e de simplicidade. Com uma modéstia que nos leva ao paroxismo, Denilson põe de lado a sua sensibilidade e descarrega o mérito do belo na tecnologia possível da foto do pôr de Sol no Porto de Baía Formosa que me extasiou: “foi só jogar um efeito HD pra dar um destaque, e aumentar a saturação pra dar vida às cores”, escreveu ele.
E onde se escondeu o artista que prendeu a respiração e meticulosa e caprichadamente escolheu o ângulo da paisagem, e clicou com leveza o botão que deixa a luz entrar para nos dizer: foi daqui que eu vi?
Fiquei orgulhoso de você, Denilson Jackson.

quarta-feira, 20 de setembro de 2017

Teles Duarte, amigo da escola.



Teles Duarte, filho de Preto e de Mariquinha, como tantos outros baianoformosenses,  ainda muito novo, rumou para outras plagas em busca de quem sabe, até de dignidade.
Eu me lembro de que uma vez encontrei-me com ele em Brasília-DF. Ficamos juntos, com a minha família, na ceia do Natal daquele ano. Negou-se ao vinho e preferiu refrigerante. Era um juramento antigo que eu sabia.
 Teles voltou para a sua e nossa terra já aposentado.
Mas, é o mesmo homem cordial e sonhador.
Ofereceu-se tanto para contribuir na nossa educação que um dia a Escola Municipal João Batista de Mendonça disse: Está bem! Vamos empreender.
Teles Duarte, com mãos mágicas e amorosas, juntou-se aos pequeninos, pôs as mãos na terra e fez brotar uma horta.
Uma horta que alimenta, antes de tudo, a nossa fome de saber.
 A diretora Magna, em o acolhendo no espaço encantando do saber, o disse “amigo da Escola”.
Perdi a cerimônia da outorga do título, mas faço aqui o merecido registro para que outros saibam desse extraordinário acontecimento.

terça-feira, 5 de setembro de 2017

A Abanfar BF




Não sei quem é o articulista porque o artigo, publicado ontem, 04/09/17, na página da Abanfar, não está assinado.
Mas, ele arrolou dez perguntas, feitas pela população de Baía Formosa, sobre a “banda”. E registrou, com um laivo de ironia, que “as famosas perguntinhas” chegam com Setembro.
Suponho aqui, por puro exercício mental, que a apresentação pública das bandas se dava principalmente, não exclusivamente, em Setembro, na data da Independência, e que isso teria marcado mais fortemente a nossa memória.  Não sei.
Mas, de qualquer sorte, eu me arrisco a dizer que as dez perguntas arroladas pelo articulista mostram um grande apreço da população pelo seu patrimônio musical.
 A população quer ver a exibição da sua joia.
 Quer aplaudir a sua prenda.
 Quer se orgulhar dos seus talentos.
Acho que é por isso que perguntam.
Há, todavia, uma pergunta, a décima ( “Não dá pra montar outro grupo agora para tocar próximo mês?”), sic  que parece irritar particularmente o anônimo articulista. Ele a censura como se se tratasse de uma ignorância. Acho que não é.
       Peço vênia para discordar da interpretação dele.  E faço uma ilustração para me fazer entendido.
Há, em Viena, na Áustria, um coro de meninos: os Meninos Cantores de Viena (em alemão: Wiener Sängerknabem).
Esse coro, formado por meninos com idades entre 10 e 14 anos, tem 519 anos. Evidentemente não são os mesmos meninos, nem o maestro e nem os professores de música e de canto são os mesmos, mas o coro, sim, é o mesmo.
Sabem por quê? Porque o coro é uma organização privada sem fins lucrativos.
Agora eu pergunto não especialmente ao anônimo articulista, mas aos meus ocasionais leitores: por que as nossas bandas duram tão pouco tempo?
O articulista diz que a primeira Banda se chamava Renascer e durou seis anos, foi fundada em 2003 e desativada em 2008; a segunda, Antônio Joaquim da Silva, durou três anos, foi fundada em 2011 e desativada em 2013; e a Abanfar com quatro anos, foi fundada em 2014 e ainda está ativa.
O articulista diz que em 2014 a Abanfar fez uma parceria com a Secretaria de Educação e Cultura para implantar o ensino de música, e que a mesma Secretaria comprou instrumentos musicais. Como o articulista também sou reconhecido e até muito grato.
Mas preciso dizer que foi uma parceria com um governo e não com o Município. Há nisso uma diferença fundamental. Terminado o governo se finda também a parceria. Mas, se ela fosse feita através de uma lei municipal, todo governo que entrasse – e os governos mudam de quatro em quatro anos – estaria obrigado a cumprir a lei.
Uma organização privada sem fins lucrativos também pode ser a solução para a longevidade da banda da cidade de Baía Formosa.
Por que não pensar nesse caminho se pretendemos a consagração da cultura musical no seio da nossa população?
Mudar de opinião e de atitude é uma necessidade, sobretudo quando trabalhamos a construção de um patrimônio coletivo.
Ao escrever esse artigo, minha intenção foi imaginar caminhos para a edificação da cultura musical, por isso, peço desculpas se eventualmente ofendi alguém quando expus o meu pensamento.  
Música e teatro são traços fortemente marcados no modo de expressão cultural dos formosenses.
José Maria Alves Adelino, José Maria Pescador, atraiu para Baía Formosa, nomes famosos do cenário musical brasileiro e hoje, com um CD gravado, participa do festival Som sem Plugs.
Faço a ele a minha homenagem.