quinta-feira, 6 de dezembro de 2018

Nedo quer ser rei!




Em Beleza Feliz há um poeta    incoveniente e constrangedor que canta, com despudor, a ganância desabrida que se instalou no reino.

Ganância pelo trono, para ser preciso.

Ontem, à boca da noite, ele estava de pé no meio da Praça Central onde fica o Palácio Real.

Impertigado, ele estendeu o braço longo e magro, e com a palma da mão voltada para frente parecia pedir que parassem para ouvi-lo.

Um guarda real que o observava fazia  cara de  incomodado, mas não conseguia disfarçar que também queria ouvi-lo.

Um vira-lata latia.
Não sei se estranhando o vulto esguio de ombros sungados ou se reclamava mais nacos do pão francês que ele lhe dava.

O vate magro causou vexame quando elevou a voz e disse também para quem não queria ouvir.
No reino do paraíso

A cobiça grita alto.

Na corrida pelo trono

Fazem fila que dá volta.

O de traz pega o da frente,

Com fungado e sem apelo.

É cobra empurrando em cobra

Na peleja pela grana.

Vassalos fazem torcida

Mas não votam por engano.
Disse isso e retirou-se rindo sarcasticamente.

Lá no fundo da Praça teve gente que aplaudiu.
Hoje ao meio-dia, lá na Chez Eliane, ali na orla do reino, o poeta  contou, a um turista que visitava a praia, esta história intrigante.

Com sua gentil e cordial permissão liguei o gravador e o coloquei ao seu lado.
Ele só olhou indiferente.

Comi pirão de albacora no coco enquanto o ouvia,  e degustei a alegoria do bardo. 

Transcrevi-a completa, e a ponho aí embaixo para apreciação e deleite.
"Vou lhe contar, turista da terra distante, a história singular de um homem caviloso que se pensa gênio.
Chama-se Nedo.
Olhe, Nedo  já era cheio de ambição quando chegou aqui no Reino de Beleza Feliz.
(Deu um muchocho e falou baixo)

Aquilo é um capeta.

Ambicioso pra dedeu.

Me disseran que ainda nos cueiros ele já sonhava em botar a mão no primeiro milhão.
Até agora só botou a mão na merda.

Mas, foi aqui no Reino que ele imaginou que para ter um milhão o caminho mais plano, suave e seguro seria ser rei, por pelo menos oito anos,  e disse de si para si:

nenhum atalho é  melhor para um milhão e nenhuma côrte é mais venal.

E é mesmo, viu! São nobres chantagistas.

Ha ha ha. (risos)

De tão destemido e autoconfiante, Nedo desprezou perigosamente as  contradições encerradas no próprio roteiro, ou menosprezou,  quem sabe, sonhos semelhantes e cruzados que podem ocorrer, como advertiram reiteradas vezes,  os observadores racionais e implacáveis da Rua do Pela.

Mas, Nedo, como num delírio, fechou os ouvidos ao que qualificou de asneiras, e prosseguiu cada vez mais determinado.

Nedo se misturou com outros pretendentes que ele julgou que  poderiam catapultá-lo celeremente para o cimo da pirâmide, bastando-lhe  mais astúcia do que a deles, mais esperteza, mais blefes  e mais vilania.

Nedo se acha esperto. (risos)
Em um tempo que não se precisa, Nedo conheceu o prepotente e vaidoso Ailson que presidia a Câmara dos Lordes, e o fez compadre para serventia ao conluio e à esperteza.

Ailson, o que presidia a Câmara dos Lordes de Beleza Feliz, por sua vez, trouxe dois serventuários, os fiéis escudeiros, Toquinho e Robin, treinados na arrogância, mas insuspeitos para o senhorio porque eram subservientes e  conhecidos aprendizes de chantagista. 

(tosse e risos)

Nedo achegou-se ao trono do rei Adeildo I, em torno do qual já rastejavam Ailson, o que preside a Câmara dos Lordes,  e os seus dois serventuários.

Nedo aproximou-se do Rei porque o sabia muito amado pelos súbitos, e com ele barganhou escada para a aceleração do seu sonho, o de um dia ser rei para pegar um milhão, e função para a esposa prendada, mas não "do lar".

Saúde é sempre bom, sugeriu, esfregando as mãos, o caviloso e  dissimulado Nedo,  ao desconfiado rei Adeildo I, que de pronto lhe entregou o Ministério da Saúde, e lhe jurou fedelidade com a mesna velhacaria com recebeu as juras de amizade eterna. 

(risos prolongados e palmas)

E recitou, para explicitar, que em quatro anos o indicaria pretendente ao trono, e os seus fiéis súbitos o acolheriam com gáudio e paixão.

O lerdo Nedo acreditou. (risos)

Descontraído e confiante, em um dia que a crônica não registrou,  Nedo alinhavou para Ailson, sob o efeito de um aromático chã mate servido nas alcovas, o plano espetacular.
(três toques na mesa e risos prolongados)

A Câmara dos Lordes destrona o rei Adeildo I, atropela Torinho Maceira que é o vice-rei ficha suja "sub judice", e você fica no trono por três anos, findo os quais você me apoia, eu subo ao trono, e a gente acaba com o sonho de realeza de Niraldo ou de Micarla Mego.

Gargalharam a bandeiras despregadas sem se dar conta que " matos têm olhos e paredes têm ouvidos".

Ouvindo o que lhe contaram as paredes, o rei Adeildo I puxou a escada do Ministro da Saúde e o deixou com a brocha na mão e uma lista de distribuição de combustível da frota sucateada do Reino.

Mostraram a lista a um escriba independente. Ele botou uns olhos desse tamanho, cofiou a barba ruiva, e respondeu à indagação do presidente da Câmara dos Lordes:

é a queda certa do Rei.

Vamos depor o Rei.

Todos se alvoroçaram, soltaram rojões, mas, a Justiça do Reino mandou arquivar a lista de combustíveis por falta de decência e de imprecisão protocolar lá na Câmara dos Lordes.

No reino de paraíso

Sobra plano e falta sonda

O povo se junta ao liso

E o milhão vai pra quem ronda.

(fim da gravação)
Não me cumprimentou. Subiu a Ladeira do Bubu cantando a plenos pulmões:
"Ô menina bonita do dente de ouro

Parece um tesouro a boquinha dela."
Os rapazes que subiam a ladeira responderam.
"Se eu pudesse, tivesse dinheiro,

Eu ia a Barreira e casava com ela.
Eliane, ali ao lado, acalmou o turista que parecia pasmo:

- É Coco de Roda !
Baía Formosa,  17 de Outubro de 2018

Dario Franco

sábado, 10 de novembro de 2018





Nedo quer ser rei!


Em Beleza Feliz há um poeta    incoveniente e constrangedor que canta, com despudor, a ganância desabrida que se instalou no reino.

Ganância pelo trono, para ser preciso.

Ontem, à boca da noite, ele estava de pé no meio da Praça Central onde fica o Palácio Real.

Impertigado, ele estendeu o braço longo e magro, e com a palma da mão voltada para frente parecia pedir que parassem para ouvi-lo.

Um guarda real que o observava fazia  cara de  incomodado, mas não conseguia disfarçar que também queria ouvi-lo.

Um vira-lata latia.
Não sei se estranhando o vulto esguio de ombros sungados ou se reclamava mais nacos do pão francês que ele lhe dava.

O vate magro causou vexame quando elevou a voz e disse também para quem não queria ouvir.
No reino do paraíso

A cobiça grita alto.

Na corrida pelo trono

Fazem fila que dá volta.

O de traz pega o da frente,

Com fungado e sem apelo.

É cobra empurrando em cobra

Na peleja pela grana.

Vassalos fazem torcida

Mas não votam por engano.
Disse isso e retirou-se rindo sarcasticamente.

Lá no fundo da Praça teve gente que aplaudiu.
Hoje ao meio-dia, lá na Chez Eliane, ali na orla do reino, o poeta  contou, a um turista que visitava a praia, esta história intrigante.

Com sua gentil e cordial permissão liguei o gravador e o coloquei ao seu lado.
Ele só olhou indiferente.

Comi pirão de albacora no coco enquanto o ouvia,  e degustei a alegoria do bardo. 

Transcrevi-a conpleta, e a ponho aí embaixo para apreciação e deleite.
"Vou lhe contar, turista da terra distante, a história singular de um homem caviloso que se pensa gênio.
Chama-se Nedo.
Olhe, Nedo  já era cheio de ambição quando chegou aqui no Reino de Beleza Feliz.
(Deu um muchocho e falou baixo)

Aquilo é um capeta.

Ambicioso pra dedeu.

Me disseran que ainda nos cueiros ele já sonhava em botar a mão no primeiro milhão.
Até agora só botou a mão na merda.

Mas, foi aqui no Reino que ele imaginou que para ter um milhão o caminho mais plano, suave e seguro seria ser rei, por pelo menos oito anos,  e disse de si para si:

nenhum atalho é  melhor para um milhão e nenhuma côrte é mais venal.

E é mesmo, viu! São nobres chantagistas.

Ha ha ha. (risos)

De tão destemido e autoconfiante, Nedo desprezou perigosamente as  contradições encerradas no próprio roteiro, ou menosprezou,  quem sabe, sonhos semelhantes e cruzados que podem ocorrer, como advertiram reiteradas vezes,  os observadores racionais e implacáveis da Rua do Pela.

Mas, Nedo, como num delírio, fechou os ouvidos ao que qualificou de asneiras, e prosseguiu cada vez mais determinado.

Nedo se misturou com outros pretendentes que ele julgou que  poderiam catapultá-lo celeremente para o cimo da pirâmide, bastando-lhe  mais astúcia do que a deles, mais esperteza, mais blefes  e mais vilania.

Nedo se acha esperto. (risos)
Em um tempo que não se precisa, Nedo conheceu o prepotente e vaidoso Ailson que presidia a Câmara dos Lordes, e o fez compadre para serventia ao conluio e à esperteza.

Ailson, o que presidia a Câmara dos Lordes de Beleza Feliz, por sua vez, trouxe dois serventuários, os fiéis escudeiros, Toquinho e Robin, treinados na arrogância, mas insuspeitos para o senhorio porque eram subservientes e  conhecidos aprendizes de chantagista. 

(tosse e risos)

Nedo achegou-se ao trono do rei Adeildo I, em torno do qual já rastejavam Ailson, o que preside a Câmara dos Lordes,  e os seus dois serventuários.

Nedo aproximou-se do Rei porque o sabia muito amado pelos súbitos, e com ele barganhou escada para a aceleração do seu sonho, o de um dia ser rei para pegar um milhão, e função para a esposa prendada, mas não "do lar".

Saúde é sempre bom, sugeriu, esfregando as mãos, o caviloso e  dissimulado Nedo,  ao desconfiado rei Adeildo I, que de pronto lhe entregou o Ministério da Saúde, e lhe jurou fedelidade com a mesna velhacaria com recebeu as juras de amizade eterna. 

(risos prolongados e palmas)

E recitou, para explicitar, que em quatro anos o indicaria pretendente ao trono, e os seus fiéis súbitos o acolheriam com gáudio e paixão.

O lerdo Nedo acreditou. (risos)

Descontraído e confiante, em um dia que a crônica não registrou,  Nedo alinhavou para Ailson, sob o efeito de um aromático chã mate servido nas alcovas, o plano espetacular.
(três toques na mesa e risos prolongados)

A Câmara dos Lordes destrona o rei Adeildo I, atropela Torinho Maceira que é o vice-rei ficha suja "sub judice", e você fica no trono por três anos, findo os quais você me apoia, eu subo ao trono, e a gente acaba com o sonho de realeza de Niraldo ou de Micarla Mego.

Gargalharam a bandeiras despregadas sem se dar conta que " matos têm olhos e paredes têm ouvidos".

Ouvindo o que lhe contaram as paredes, o rei Adeildo I puxou a escada do Ministro da Saúde e o deixou com a brocha na mão e uma lista de distribuição de combustível da frota sucateada do Reino.

Mostraram a lista a um escriba independente. Ele botou uns olhos desse tamanho, cofiou a barba ruiva, e respondeu à indagação do presidente da Câmara dos Lordes:

é a queda certa do Rei.

Vamos depor o Rei.

Todos se alvoroçaram, soltaram rojões, mas, a Justiça do Reino mandou arquivar a lista de combustíveis por falta de decência e de imprecisão protocolar lá na Câmara dos Lordes.

No reino de paraíso

Sobra plano e falta sonda

O povo se junta ao liso

E o milhão vai pra quem ronda.

(fim da gravação)
Não me cumprimentou. Subiu a Ladeira do Bubu cantando a plenos pulmões:
"Ô menina bonita do dente de ouro

Parece um tesouro a boquinha dela."
Os rapazes que subiam a ladeira responderam.
"Se eu pudesse, tivesse dinheiro,

Eu ia a Barreira e casava com ela.
Eliane, ali ao lado, acalmou o turista que parecia pasmo:

- É Coco de Roda !
Baía Formosa,  17 de Outubro de 2018
Dario Franco

sexta-feira, 22 de junho de 2018

Aos amantes afrontosos.
Viver um grande amor é viver um grande amor.
E isso basta. 
O resto é adereço.

Mas, se o adereço é o grande amor, então o grande amor é adereço.
E isso não é jogo de palavras.

Os que estão  divididos não se                repelem.
Contraditoriamente se harmonizam.

Intolerância é não aceitar o contraditório. Só há homoafetividade se houver heteroafetividade . 
Isso se harmoniza.
Quer ver?
Pule o muro de você e olhe para trás.

Ou não pule e  olhe para dentro.
É mais difícil. 
Mas, não se assuste se o olhar de si mesmo, o olhar para dentro,  fôr intolerante consigo mesmo.
Se isso acontecer, não peça aceitação. Expulse da alma a intolerância que se alojou cavilosamente dentro dela.

É que a intolerância não tem limites. Terreiro e igreja não são sequer  contrários.
São uma única e mesma coisa. Contrários são vida e morte, Norte e Sul.

Quando se proclama preferência,  confesssa-se decisão de luta para impor um lado.
Não se surpreenda se o outro polo que você criou se armar para a batalha.
É que isso é da dialética da natureza.

Agora é tempo de ler Cervantes.
Que escudo e que espada foram tomados para o empreendimento da luta
proclamada?

Amar não é extraordinário.
Os amantes lutam. 
Extraordinário é o amor.
De tão compacto, ele não tem lado de dentro.

Dario Franco 

sexta-feira, 9 de março de 2018

A maré enche ou vaza?







A sessão da última terça-feira, 6/3, da Câmara de Vereadores de Baía Formosa- RN começou debaixo de muita tensão. Também pudera!
Durante a semana passada inteira acusaram levianamente os vereadores da oposição de atrapalharem a administração municipal, e especialmente a área da educação, porque se recusaram a discutir e aprovar, numa única sessão, o PL que pedia autorização da Câmara para um processo seletivo, passando por cima do  que ordena o Regimento Interno da Casa.
Uma acusação leviana, repito, e caluniosa.
Coisa de gente irresponsável e sem compromisso público.
Botar o povo contra a Câmara não é coisa de democracia.
Os vereadores do PT Bob Bugueiro e Chico de Josa e Alan Jhones e Richards Pereira do PSD convocaram até pelo Facebook o que chamam de "soldadinhos", para tumultuar e agitar o ambiente na Casa do Povo. E, rancorosos, esses torcedores ocuparam toda a assistência.
O Presidente Airton Tanoeiro-PSD, já na abertura dos trabalhos, cuidou de apaziguar os "massa de manobra".
Depois o vereador Róbson Nobre-PSDB , visivelmente tenso, desarmou os ânimos e garantiu, não uma discussão sobre o PL, que era o que se esperava, mas a aprovação por 9 x 0, inclusive do requerimento que pedia urgência no trâmite da matéria enviada pelo prefeito.
Onde discutiram a matéria que deveria ser discutida no Plenário?
Bom! O vereador Róbson Nobre-PSDB  desarmou os ânimos e rendeu-se.  Entregou-se e ofereceu a rendição, sem resistência, dos seus pares.
Fiquei atordoado.
Atordoado, mas esperançoso no que ainda viria pela frente. Embora o final do filme já estivesse contado.
Mas, aí chegou a vez do vereador Toninho Madeiro-PROS.
Redobrei a atenção.
Foi quando ele abriu o verbo e exibiu para o Plenário atônito e para a assistência desorientada o artigo 6° do Projeto aprovado pela Câmara no ano passado. E o artigo autorizava renovar automaticamente os contratos dos professores por mais um ano.
Uau! Vou dormir feliz, pensei com os meus botões.
Ali, naquele momento, o ilustre homem público dissera claramente, para os presentes e para os da audiência da FM Pontal, que não havia nenhuma urgência em matéria nenhuma.
Nem para o requerimento e nem para o PL.
E fim de papo.
A urgência era só chicana da Administração Municipal.

Que urgente mesmo era acabar com as trapalhadas dos patetas da roda do prefeito.
Ainda assim, vejam bem, e pasmem, não estou floreando, o Plenário aprovou unanimemente, isso mesmo, 9x0, os inócuos requerimento e  PL.
De atordoado passei a nocauteado.
Mas, não rebentei o celular contra a parede.
Aproveito o ensejo e renovo a minha fé e a minha esperança na inteligência e na coragem desses jovens - Alex, Ayrton, Magno, Róbson e Toninho - construtores da história.
Mudando de assunto, a maré enche ou vaza?
Baía Formosa, 9 de Março de 2018.

Dario Franco 


quarta-feira, 7 de março de 2018

Síndrome de dependência







1.Uma surpresa

Surpreendido, como ele mesmo disse, o senhor vereador Toninho Madeiro -PROS também surpreendeu a todos na sessão de ontem à noite, terça-feira, 6/03.
Não havia nenhuma urgência, revelou o parlamentar, na matéria enviada, no dia 26/02, pelo prefeito à Câmara de Vereadores de Baía Formosa-RN.
Sabem por quê? Porque os contratos dos professores poderiam ser renovados por mais um ano sem nenhum impedimento legal, porque teriam base numa lei aprovada no ano passado pela Câmara e promulgada pelo prefeito.
Então! Isso pode indicar que aprovar matéria sem ler, como foi feito no ano passado, pode redundar em trapalhada como essa?
Ou o prefeito tem a cumprir novos compromissos eleitorais de contratação de mão de obra?
Ou, ele quer ganhar mais um ano contratando sem concurso?
Pode-se perguntar ao vereador Toninho Madeiro-PROS se a lei aprovada ontem também autoriza ao Executivo a renovação por mais um ano dos contratos dos professores? 

2.Outra surpresa maior

Bom! Ainda que sem nenhuma necessidade, a Câmara aprovou por unanimidade, na sessão de ontem, terça-feira, 6/3, o requerimento dos vereadores da base governista pedindo regime de urgência para aprovação do PL que trata de “processo de seleção” e o próprio PL enviado na semana passada pelo prefeito.
Não deu para entender.
Se não havia urgência, não havia urgência, e ponto final. O requerimento da base fisiológica do prefeito poderia ter sido rejeitado por 5x4 e o PL também. E nesse caso prevaleceria a recomendação de Câmara ao Executivo de fazer concurso público. E teria o tempo de um ano para fazer isso.
A Câmara encolheu-se e manifestou a síndrome de dependência do Poder Executivo? 

3.Seleção simplificada e interesse público

É preciso observar que a "seleção simplificada" tem por base o princípio de burlar legalmente a determinação constitucional de acesso ao serviço público somente por meio de concurso.
Ela tem uma forte e inquestionável dose de “apadrinhamento”. A capacidade dos integrantes da Comissão de Seleção, que em nenhum momento foi questionada, nada tem a ver com impessoalidade que o processo de seleção exige.


Baía Formosa-RN, 07 de Março de 2018.

sábado, 3 de março de 2018

Matar o câncer ou alimentá-lo?







1.   Velha e nefasta tradição

Ainda sobre a sessão da Câmara de Vereadores de Baía Formosa-RN da última terça-feira, dia 27/03.
Insisto que a tradição política em Baía Formosa é de menosprezo ao Poder Legislativo.
Repito que a Câmara de Vereadores sempre esteve submetida à vontade e aos caprichos do chefe do Executivo Municipal.
Declaro que ela sempre se comportou servilmente e que nunca exerceu o seu papel constitucional de fiscalização do Poder Executivo Municipal.
E aviso que esse é o maior e mais danoso mal que afeta as nossas vidas.

2.   Um câncer letal
Como um câncer silencioso, o atrelamento da Câmara à Prefeitura destrói todas as possibilidades de desenvolvimento e de progresso.


3.   Curar o câncer? Pra quê?
Pois bem! Foi para não matar esse câncer que os vereadores  Bob Bugueiro-PT e Richards-PSD levantaram as suas vozes na sessão do dia 27/02, terça-feira passada.
Argumentaram que até o ano passado a Câmara recebia a ordem da Prefeitura e, passando por cima da lei, fazia o que o prefeito queria. Isso é verdade.
Há mais de quatro meses se conversava nas redes sociais sobre o “processo seletivo”. Faz mais de quatro meses que os vereadores tentam conhecer esse projeto de lei.

4.   Ganhar no grito

Estrategicamente a administração municipal escondeu o projeto do processo seletivo para surpreender o Poder Legislativo e obter, em face da falta de tempo, a aprovação integral do que premeditaram.
Por isso, os vereadores Bob-PT e Rchards-PSD, traindo o Poder Legislativo a que pertencem, argumentaram para não quebrar a tradição, não matar o câncer, e continuar a sanha da destruição dos nossos valores políticos e morais.

5.   Jogar o povo contra a Câmara

E para ganhar plateia, até insistiram que o quadro da Secretaria de Educação é capacitado. E isso é verdade. Mas, nenhum vereador da oposição questionou isso. Acho até que, como eu mesmo, concordam com o bom nível dos nossos profissionais de educação.

6.   Batendo na mesma tecla

Mas, é submissão da Câmara à Prefeitura uma das causas do nosso atraso político e social. 
Bato nessa mesma tecla há muito tempo.
E já disse, aqui mesmo nessa minha página,  que a atual legislatura mudou a pancada dessa dança.
Pediu e quer respeito.
7.   Advertência
O presidente Ayrton Tanoeiro-PSD abriu os olhos da gente naquela memorável sessão: faltou planejamento da Prefeitura.
Pois, se tinham a pretensão de iniciar o calendário escolar no dia 5 de março/18, por que somente no dia 26/02, enviaram o projeto, mesmo sabendo que a Câmara precisa de duas sessões para aprovar uma matéria?
A culpa pelo estrago dos móveis não foi a chuva, mas a irresponsabilidade de quem não cobriu a casa.
Ou extirpamos o câncer, ou ele prosseguira a matar nosso organismo social silenciosamente.

Baía Formosa-RN, 3 de Março de 2018.
Dario Franco
www.blogdodariofranco.com.br