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quinta-feira, 27 de dezembro de 2007

Dezesseis Anos Depois



Impressões de viagens são abundantes na literatura de turismo, desde quando esse ainda não era uma atividade mercantil. Parecem somar pouco. Mas, criam perspectivas e curiosidades.
Voltei ao Amapá dezesseis anos depois, como a Marlene me ajudou a calcular, convidado por Ângela de Carvalho, para um reencontro que poderia indicar, quem sabe, nostalgia: rever pessoas e lugares muito queridos. Não estava, seguramente, na minha perspectiva conhecer o novo. Ora, dezesseis anos depois muita coisa teria mudado, obviamente, mas o deslumbramento estava fora de cogitação. As mudanças não costumam ser tão radicais assim, mesmo depois de um longo período.
Mas, o Amapá mudou drástica e irreversivelmente num tão pouco tempo, que buscar a explicação sociológica para uma tão colossal transformação virou uma necessidade maior do que o impacto que isso me causou.
Se escrevo estas breves ‘impressões de viagem’ o faço porque o Márcio Gonçalves me instou a isso. E elas não exaurem todo o panorama do meu espanto, e sequer abordam a perspectiva acadêmica para explicar um fenômeno da aceleração do crescimento e do desenvolvimento nos moldes que se registrou no Amapá.
Atenho-me aqui, pois, às ‘impressões de viagem’, ressalvando, para os devidos descontos, que sou acusado de ter uma visão romântica dessa terra, e crio a perspectiva para o estudo comparativo do desenvolvimento do Amapá entre os últimos vinte anos de Território e os primeiros vinte anos de Estado. Nisso já há, por certo, uma direção para explicar politicamente a causa do prodígio, embora o Rodrigues, Diretor Executivo da Fundap, levante a hipótese de que a execução do plano de urbanização da orla do Amazonas – o Lugar Bonito, Araxá, Perpétuo Socorro –, por exemplo, levada a cabo por diferentes governos, e cujo plano já existia em 1975, se deveu à pressão social. Alvissareira essa leitura, Rodrigues, porque ela contém cidadania. E é também uma indicação hipotética para a pesquisa.
Ora, minhas maiores vivências e lembranças estão ancoradas no Amapá, Território Federal, porquanto nos primeiros anos que se seguiram à criação do Estado, meus contatos com essa Unidade, foram esporádicos. Não acompanhei, assim, o dia-a-dia das transformações que se urdiam, política e socialmente, quase em silêncio, e que explodiriam como num espetáculo pirotécnico diante dos meus olhos extasiados quase duas dezenas de anos depois. Do avião, para minha estupefação e inquietação, não consegui identificar pontos que me eram muito familiares. Abismado, só vi o novo.
Dentro de Macapá mais duas cidades de igual porte que aquela dos anos 70. Um comércio pujante que se alastrou para muito além da Cândido Mendes e dos interstícios das ruas vicinais. Bairros que são verdadeiras cidades dentro da cidade. Uma cadeia de restaurantes e bares que premiam uma gastronomia digna de grandes centros. Enumerá-los exigiria mesmo uma carta própria para se oferecer aos turistas exigentes e curiosos da culinária amapaense. A arquitetura é cosmopolita agora e nela o modelo e as soluções regionais não estão agredidos. Uma educação que já registra cerca de vinte e nove cursos superiores contra nenhum naquela década.
E uma democracia que permite a governabilidade plural, com a participação de todos os segmentos político-partidários na administração estadual.
Ouvi descontentamentos, falas impacientes melhor dizendo. Que bom! Isso preserva a semente da incessante necessidade de transformação, ainda sabendo que o Amapá é um estado muito novo, e assegura um direcionamento político em conformidade com os ditames da sociedade e distante das justificações ideologicas que servem de anteparo aos projetos personalistas.
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