sábado, 9 de fevereiro de 2008

O humor confuso do dia-a-dia. O telefonema.

O telefone tocou quebrando abruptamente o silêncio do apartamento de um único vivente, e ao alô da voz nitidamente grave, acentuada ainda mais pelas cordas recém-despertadas, e curiosa, a voz, claro está, ao modo de quem pensa quem será que está me ligando a estas horas, uma fala claramente aguda do outro lado, sem bons dias e sem mais alôs, exclamou como que surpresa:
- Eleuza?
- Não! Respondeu calmamente desiludida a voz masculinamente barítona, e a seguir desligou.
Novo trinado, e o identificador de chamadas exibiu o número 3404 5159, o mesmo mostrado a pouco. Ao pois não pode falar da voz repousada, uma fala aguda, ainda que desafinada - parecendo trêmula -, do outro lado, tentando parecer calma e gentil, avançou:
- Liguei para esse número faz pouco e parece que a linha caiu?
- Não caiu. Eu desliguei, minha senhora! Respondeu a voz grossa e agora em tom impaciente.
- É que a Eleuza faz unhas... Miou do outro lado a fala quase explicativa.
- Minha cara, a Eleuza fala grosso? Interrompeu o baixo grave.
- Olhe, eu sou uma senhora de setenta e dois anos...
- Então ligue para o número da Eleuza, minha irmã, estou à cata de uma mulher de sessenta. E desligou.
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