terça-feira, 31 de janeiro de 2012

Praia de Bacupari

Dario Franco
         

            Quem acessar o site oficial da Prefeitura Municipal de Baía Formosa vai encontrar, sobre o Bacupari, este deboche:
           “Os nativos mais antigos contam que o nome desta praia se refere a um naufrágio ocorrido nesta praia no século XVII, com um barco de nome "Barco Paris", então dizem que por não conseguirem pronunciar corretamente o nome verdadeiro, chamavam de “BACOPARI” e assim ficou conhecida.”sic

            Puro besteirol. Essa estupidez o bugueiro Marcos Vinícius, antigo dono da hoje pousada La Bonita, me contou dizendo que a tinha inventado para ter uma história pra contar para os turistas. Não me assustou.

            Mas, diante do insulto, de pronto, entendendo a ridicularia que ele tentava impingir tanto aos eventuais turistas, quanto a nossa cultura, lhe informei o que vai abaixo:
            Que o verbete Bacupari (e é assim que se grafa: Bacupari, com u porque é do tupi: yuakuparí.) está registrado nos dicionários da língua portuguesa desde 1618, segundo Houaiss. Diz o registro: “designação comum a árvores do gênero Garcinia (que inclui o gênero Rheedia), da família das clusiáceas, cujos frutos são geralmente comestíveis.”

            Foi a árvore bacupari, abundante ali naquela área do farol, que deu o nome à praia e depois ao farol quando da sua inauguração em 1919.

            Agora, lendo aquela ridicularia no site oficial da Prefeitura me assustei pela falta de aplicação, de seriedade e de respeito com a sociedade local e com os turistas. Não se tratava mais de um empreendedor  aventureiro querendo explorar o turismo numa terra que o acolheu e pela qual ele não teve o escrúpulo de conhecer a sua cultura, mas da Prefeitura mesma repercutindo, no mínimo, uma leviandade e aderindo à ideia de que a clientela do turismo é tonta mesmo.

            Uma simples consulta junto à Capitania dos Portos de Natal e junto a um linguista teria recebido as informações de que aquele naufrágio jamais existiu e de que o vocábulo barco não se corrompe foneticamente em baco.

           

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