Barra de vídeo

Loading...

segunda-feira, 13 de fevereiro de 2012

Risco de vida





          O verbo seguir está na moda. Quer dizer, na moda entre repórteres e apresentadores de telejornais.    Acho que é contaminação extensiva de twitter.

          Já continuar ficou tão fora de moda que usá-lo agora na TV é passar atestado de ‘ultrapassado’.

          Por isso, não diga que o ministro continua no cargo, mas, o ministro segue no cargo. O dicionário Houaiss registra dezoito acepções para o uso desse verbo; o Aulete vinte e três; e o Michaelis vinte e cinco. Nenhuma naquele sentido E mais: seguir ainda não é sinônimo de continuar. Mas moda é moda, e daqui a um tempo, quando a população tiver absorvido o seguir ou execrado o continuar das suas falas, os dicionários farão o registro de mais uma acepção que é pra isso que eles servem (os dicionários, não os jornalistas).

          Todavia, o povo é resistente aos modismos semânticos. Por exemplo, os mesmos repórteres e apresentadores de telejornais criaram um imbróglio com a expressão ‘risco de vida’ falada pela plebe ignara. Sábios, aqueles profissionais trocaram para: ‘risco de morte’.

          Pois olha, não só não pegou até agora, como eles mesmos estão desconfiados que a inovação seja mico. Inseguros, já falam, por via das dúvidas, ‘risco de morrer’.

          Na verdade, o risco está sempre associado à perda. Concorda? Não se corre o risco de ganhar na loteria, por exemplo. Ter-se chance de, vá lá, desde que se jogue. Perder a vida, contudo, é um risco. “Viver é muito perigoso”, já dizia Riobaldo. Então o termo que sofreu a elipse foi ‘perder’. E nesse caso ‘risco de (perder a) vida’ está mais do que conforme. ‘Risco de (perder a) morte’ é coisa de suicida. Mas os jornalistas continuam, digo, seguem dizendo ‘risco de morte’ conforme o manual de redação do pasquim.

Postar um comentário