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quarta-feira, 7 de março de 2012

O nome era Aratypicaba

                  
Dario Franco

                     Qual era mesmo o primeiro nome de Baía Formosa? Aretipicaba ou Aratypicaba?

                    O escritor Câmara Cascudo diz que “O nome indígena era ARETIPICABA...” e traduz: “bebedouro de papagaios”¹.

                    Mas, ele omite a informação de onde recolheu o termo Aretipicaba, embora tenha se detido na análise do nome da cidade informando, por exemplo, que encontrou uma transcrição viciada (Azatipaticana) num mapa que está na Biblioteca Nacional de Madri; que o português Gabriel Soares de Souza, registrou o nome Aratipicaba no seu Tratado Descritivo do Brasil de 1587; e que no mapa de Georg Marcgrave o registro era Guaratapeiuba ou Baya Formosa.

                    Importa ressaltar que Cascudo consultou o seu professor de tupy, o baiano de Santo Amaro da Purificação, Theodoro Fernandes Sampaio, autor de ‘O tupy na Geographia Nacional’, sobre o significado etimológico do termo, e que esse lhe deu a seguinte resposta:

                    “O vocábulo Aretipicaba é simples corrupção do tupy.

                    [O nome é] Aratypicaba, cujos componentes são – Ará-typicaba e significa – tanque dos papagaios. Convindo notar que Ará é o papagaio grande, a arara, e typicaba é o substantivo verbal de typig, exprimindo acção de estancar, isto é, o estanque, o tanque, a repreza.”² sic

                    Porque então, Cascudo insistiu nessa grafia corrompida:  Aretipicaba?

                    A hipótese de não ter a carta resposta chegado em tempo hábil para uma atualização dos originais do seu livro Nomes da Terra, publicado em 1968, não é plausível.

                    A carta é de abril de 1931, ou seja, trinta e sete anos antes da publicação (1968) do livro. Cascudo diz que começou a escrever Nomes da Terra em junho de 1929, e que em abril de 1930 conheceu Theodoro Sampaio.³

                    Constata-se, infelizmente, que o livro publicado pela Fundação José Augusto, 2ª edição- 2002, é carente de revisão. A editora sequer informa o nome do revisor. É muito possível, pois, que essa falta de lapidação seja responsável por este desacerto.

                    Conclui-se, por isso, que Aretipicaba é um lapso, um cochilo. Paradoxalmente, compreensível para um livro que dormitou por mais de quinze anos antes de vir a público.
                    Portanto, conclui-se: o nome primeiro, o nome indígena de Baía Formosa era ARATYPICABA.



¹ Cascudo, Luís da Câmara – Nomes da terra – Geografia, História e Toponímia do Rio Grande do Norte – Fundação José Augusto -1968 – Sebo Vermelho Edições – Natal – RN - p.163


² Sampaio, Theodoro - Em carta a Câmara Cascudo em 16 de abril de 1931, apud Cascudo, Luís da Câmara – Nomes da terra – Geografia, História e Toponímia do Rio Grande do Norte – Fundação José Augusto -1968 – Sebo Vermelho Edições – Natal p. 9


³ Op cit. P 60

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