terça-feira, 28 de agosto de 2012

O Assalto. A quem interessa?





Dario Franco



          Ainda não eram 8h00 da manhã do dia 27 de agosto e a notícia do assalto à mão armada feito de madrugada na casa do prefeito de Baía Formosa, Sr. Nivaldo Melo, já corria solta em Natal.

          Ainda não eram 8h00 da manhã deste mesmo 27 de agosto e também já corria solta a notícia de que o povo interpretava o assalto ao prefeito candidato ao segundo mandato, como uma armação eleitoral.

          Em Baía Formosa os carros da polícia e os policiais chegados bem depois do assalto enchiam as ruas de espectadores e quebravam a rotina, como em todo episódio insólito e reprovável e indignante.

          Mas, para felicidade de todos não houve vítimas. Nenhuma escoriação. Notícia de tapas no vigia da casa não circulou. Somente uma rendição sem resistência e sem tiros. De igual modo não circulou informação de maus tratos ao assaltado e à sua família. Dizia-se que a advertência feita pelos assaltantes encapuzados ao prefeito candidato, de que não comunicasse a pilhagem à polícia antes da hora tal, foi de pronto acatada e cumprida à risca em face das metralhadoras que, dizem, lhe apontavam a cabeça. Ainda mais que essa intimidação, segundo circula, estava recheada com ameaça de morte. Enfim, agiu prudentemente o assaltado, segundo os manuais de segurança.

          Dos males o menor: Jóias, computadores, roupas e brinquedos de crianças levados pelos assaltantes é um prejuízo menor do que se tivessem também levado carros, por exemplo. Uma ameaça de morte, mesmo sendo indesejável, é incomensuravelmente melhor do que um seqüestro com tudo o que de nefasto decorre dele. Pode-se até julgar amadorística a ação desses delinqüentes se contabilizarmos o custo/benefício da operação. Carros, mais combustível, mais armamento pesado, mais munição, mais pessoal, mais risco, tudo isso em troca do que eles levaram. Poderão ter tido prejuízo aqueles criminosos.

          Campanhas eleitorais são assim mesmo. Não deveriam, mas são. Na competição feroz em que se envolvem os candidatos tudo vale para a conquista do voto do eleitor: pragmaticamente beneficiar-se do assalto, ou negando-o, denunciá-lo como farsa.

          Mas a quem esse assalto beneficiaria eleitoralmente? Ou a quem esse assalto prejudicaria eleitoralmente?

          Dizem os analistas de segurança pública e investigadores especializados na área que expressivo percentual dessas agressões a candidatos em períodos eleitorais têm em comum a inexistência de vítimas fatais: um tiro de raspão na camisa ou no boné, uma bala na lateral de um veículo, uma muito leve escoriação, uma rendição assustadora ou coisa que o valha, mas morte, não. E isso acaba por instalar na linha de investigação a hipótese da farsa. Em assim sendo, é fácil compreender a notícia da suspeita de fraude que já circulou embutida na notícia do assalto.

          Assaltos em tempos eleitorais são, pois, faca de dois gumes. Quer dizer, tanto pode beneficiar como pode prejudicar o candidato assaltado. E para beneficiar o assaltado, o assalto deve conter elementos tão contundentes e indesejáveis ao assaltado que, por si só, afastem as especulações maledicentes. No assalto em foco, feliz ou infelizmente, esses dados não existem.

          Já para o candidato adversário do assaltado o assalto só contabiliza perda. Senão, vejamos.

          Se se admitir que a agressão foi verdadeira, o candidato vitimado terá um prejuízo material mas, um possível ganho eleitoral. Sabe-se que o povo/eleitor sempre fica do lado da vítima.

          Já admitir que o assalto foi uma farsa, o candidato falsamente assaltado só terá prejuízo eleitoral.

          Ou seja, o candidato assaltado tem duas oportunidades no evento: uma chance de se beneficiar, ou um risco de se prejudicar.

          Já o candidato rival, só tem uma oportunidade de se beneficiar: se o assalto tiver sido uma farsa. Todos os outros cenários deságuam em retumbante estrago. Por isso, ele se torna, indiscutivelmente, insuspeito da autoria intelectual do delito.

          Agora cabe à polícia técnica investigar o assalto: elencar, a partir dos arquivos policiais, delinqüentes potenciais; periciar o local do evento; conhecer o local por onde os bandoleiros acessaram a casa; coletar material para análise em laboratório; colher informações; ouvir envolvidos; confrontar depoimentos; acarear depoentes, quem sabe; rastrear a rota de fuga dos meliantes; identificá-los; processá-los; e, por fim, apresentar todos os resultados aos cidadãos e cidadãs de Baía Formosa. Afinal, todos nós lamentamos as vítimas da insegurança. Todos nós ansiamos por uma cidade segura.

          Sem essa providência – a da investigação cabal da polícia técnica –, poderemos, todos nós, ser tentados a comungar com a interpretação da farsa.

          Perversamente, o ônus da prova recai sobre o assaltado.

sexta-feira, 24 de agosto de 2012

A lenda da praia das Barreirinhas



                                                                                                               Dario Franco




           A praia das Barreirinhas situa-se entre Baía Formosa-RN e Sagi . 
     É um lugar de passagem dos buges que trafegam pelas areias desertas da orla marítima entre essas duas localidades. 
    Ali não há infraestrutura nem serviços, mas é cenicamente uma praia majestosa e cativante. 
Vale a pena um pit-stop. A toponímia vem mesmo das falésias, enigmáticas como esfíngies, que emolduram aquele ambiente impregnado de eternidade e de sobrenatural.
          Pois bem, no sopé da barreira tem uma água ferruginosa. Não convém tocá-la, adverte-se. 
   Sua origem, segundo dizem, remonta ao tempo em que foi enterrado ali um baú com um tesouro. 
   No cimo da falésia, dizem que com o fito de marcar o lugar exato, a cova do ouro fora recoberta com pedras d’água trazidas do mar e ainda mais sinalizada por um pilão com duas alças ao modo das ânforas gregas antigas e também com correntes de ferro. 
   É dessas correntes que vem a ferrugem que ainda agora tinge a areia.
          A botija fora enterrada ali por um homem muito rico. 
   A procedência de tão grande riqueza, ao que consta, está ligada a um pacto com o demo, ou satã, ou capeta, ou maligno, ou o que mais seja. 
   O nome do pactuante que vendeu sua alma ao Príncipe das Trevas em troca de riqueza, embora não seja segredo, não se fala, nem se escreve tão pouco, sob pena de se ter a alma comprometida com a salvação eterna, segundo falam desde muito antigamente. 
   Para não se correr tamanho risco, guarda-se o preceito. Mas, todos os habitantes de Baía Formosa e do Sagi sabem o nome daquele que fez aliança com o coisa-ruim. Não perguntem quem foi o desventurado. Todos dirão sempre que não sabem. Fica melhor assim.
          Mas o tesouro, esse pode ser tirado, como se fala, sem risco para a vida e a alma do agraciado.
         No passado muitas tentativas foram feitas no sentido da apropriação do fantástico e cobiçado bem. Nenhuma, contudo, logrou sucesso. A principal, mas não única dificuldade é a ação de um intruso nomeado, segundo voz corrente, por Cassiano.
         No início do século passado, ao que se conta, a botija foi dada a um muito ilustre morador de Baía Formosa. Ele contou que a voz nítida e metálica que ele ouviu em sonho lhe passou a doação da fortuna em trinta e oito versos alexandrinos, cuidadosamente escandidos  e que foram registrados no conto Cuidado com Cassiano. Transcrevem-se abaixo aqueles versos recitados pela aparição:
“Abre tua mente e fica atenta ao que te dou.
Amealhei por pacto vil, fortunas tais,
Que gozei tudo, cresci gula, desdenhei.
Corri cidades, neguei pão, juntei-me aos maus.
Comprei juiz, matei venturas, tripudiei.
Findado o tempo, a danação, a vida a vau,
Com pedras d’água local certo remarquei.
E acorrentado a palmos sete ‘stá o baú
D’ouro completo o meu tesouro abandonado.
Nas trevas em que vivo sem esperança
O mimo sepultado aumenta a dor, o mal.
Por isso, dou-te sem resgate ou algum vodu.
E tua alma boa fica livre, sem revés,
Para que brindes uma vida afortunada
No mundo onde se pena em vão, à toa.
De duas alças é o pilão que assinalei
No fastígio da falésia, as Barreirinhas.
Caminho atravessando entre Sagi sem vau
E a cidade elevada que é Formosa.
Descansa nele uma corrente que descai
E que ta dou sem revelia por sinal.
Junho é o mês de arrancar o tal tesouro
Pois, não é lenda que subir os sete palmos,
Os escondidos tesouros enterrados
Afloram nesse mês por desespero.
E a noite certa deve a Lua presidir,
Astro que enquadra o cosmo e alinha a Terra ao Hades.
Da legião dos demos que o protegem
Pertence Cassiano, intruso que se esmera,
E ronda a espreita do feliz que o resiste.
Cuidado não te falte, pois vive a fera,
Em pós anos a seguir o contemplado
E frustrar quer a empresa a qualquer custo.
Se já não tarda o iminente desenlace
Cassiano morto vai o bem pra outro dono,
E perpetua assim a dor que me renega.
Pergunta, pois, alguma não me faças.
Com Cassiano pouco é o cuidado que t’assiste.”


























                                                                                                                          

domingo, 19 de agosto de 2012

A memória de Baía Formosa

                                                                                                                          Dario Franco


          O indivíduo se funda na sua história e nas suas lembranças. Aquele que as perde se desorienta e vive sem sentido. Despreza-se. É desprezado. Não raro serve aos outros de chacota. Perde a sua identidade.


          Do mesmo modo, a história e as memórias coletivas fundam um povo. Se a comunidade as perde se desorienta e vive sem sentido. Vilipendiada. Sem identidade.

          Para o indivíduo sem lembranças e sem história recorre-se à medicina, e as terapias poderão restaurar o fio da meada e dar nova orientação à vida individual, desde que o acidente que causou a amnésia não tenha danificado irreparavelmente o centro da memória.

          E quando a amnésia, o esquecimento é coletivo? Quando a comunidade perdeu partes significativas da sua memória a quem ou a quê recorrer?

          Mesmo que não se tenha uma resposta, sabe-se que é preciso um tratamento. E Baía Formosa começou o tratamento da sua doença do esquecimento. No dia 10 de agosto de 2012 a comunidade quebrou um silêncio de cento e trinta e cinco anos e celebrou a memória do líder Francisco Magalhães.

          Mas, Baía Formosa tem relegado a sua memória a um segundo plano.

          Por exemplo, mudou por necessidade o local do antigo cemitério, mas esqueceu por décadas o local que tinha recebido seus ancestrais. Nenhum tratamento foi dado ao sítio que recebeu os seus mortos. Até que um dia o venderam sem reverência e sem pejo. Hoje aquele sítio é só uma lembrança sem registro. Depois, nem isso.

          Também, deixou que apagassem a denominação centenária do Presídio; que contassem piadas depreciativas sobre a origem do nome Bacupari; que Araraquara fosse uma designação obsoleta e sem sentido. E se repetiram e se registraram essas invasões culturais como nunca se atentou para a história e para as lembranças pretéritas. A maior, única e majestosa baía, seu emblemático patrimônio cênico-paisagístico, foi profanada com esgoto em cachoeira e nome acanhado de oportunidade.

          Para evitar o esquecimento histórico escreve-se a crônica dos dias. As atas dos parlamentos, os registros dos cartórios, os apontamentos eclesiásticos, os arquivos da administração pública, entre outros, são meios para se guardar a memória. Numa cultura oral resta, muitas vezes, somente a oralidade com a fragilidade que esse meio guarda em si mesmo.
          Os países em geral organizam institutos para guardar as memórias dos seus povos: os pró-memória. Criam associações para restaurar e não deixar desaparecer os seus significados, o seu patrimônio cultural. São eficazes estas soluções.

           Então, o que se propõe aqui é a criação de um Conselho de Avivamento da Memória como modo de cuidar da história e da cultura de Baía Formosa. Não será por certo, essa organização não governamental, uma substituta de entidades públicas responsáveis por essas áreas, mas um fomentador de ações que nos tirem do letargo e promovam a preservação da nossa identidade.

sexta-feira, 17 de agosto de 2012

Baía Formosa – Notas Históricas.




                                                                                                                  Dario Franco



          O primeiro registro da existência de Aratypicaba, atual Baía Formosa, data de 1587, e foi feito pelo historiador português Gabriel Soares de Souza, na página 26 do Capítulo X da Primeira Parte do seu Tratado Descritivo do Brasil (1587).  Escreve, pois,  o historiador: “De Itacoatigara ao Rio de Goaramatai são duas léguas, o qual está em seis graus esforçados; de Goaramatai ao Rio de Caramative são duas léguas, o qual está em seis graus e 1/4, e entre um e outro rio está a enseada Aratipicaba, onde dos arrecifes para dentro entram naus francesas e fazem sua carga”.
             Ou seja, os brasis da nação tupi já tinham criado as referências geográficas nesta região litorânea quando os colonizadores portugueses aqui chegaram. 
          Aqui viviam os brasis potiguares. Para aqui vinham navegadores franceses, depois Portugal empreendeu a colonização. Franceses e portugueses queriam o pau-brasil para comercializar na Europa.

          A troca do nome de Aratypicaba para Bahia Formosa aparece pela primeira vez  em 1612, no mapa do cosmógrafo português João Teixeira Albernás.


O câmbio dos nomes tupis pelos portugueses diz respeito ao domínio das terras conquistas no período da colonização das grandes navegações. Nada a ver com poesia ou enlevo poético. Marcar com nome português e atualizar as cartas geográficas era indicar aos holandeses e franceses que a terra conquistada pertencia agora a Portugal.

          Portanto, Baía Formosa já estava instalada e era um centro comercial próspero dentro das terras da sesmaria de 5.000 braças em quadra, no vale do rio Cunhaú, doada em 1604 pelo Capitão-Mor da Capitania do Rio Grande, Jerônimo de Albuquerque, aos seus filhos Matias e Antônio de Albuquerque, e confirmada em 1628 pela Coroa Portuguesa.

          A primeira notícia que se tem sobre a contestação destas terras data de 1848. Pelo Aviso n° 13 de 21 de Janeiro de 1848 o Poder Judiciário da Província do Rio Grande nega a sua herança a André de Albuquerque Maranhão Arco-Verde. Posteriormente, seu sucessor João Albuquerque Maranhão Cunhaú, também reclamará essa mesma herança e a terá negada finalmente.  

          No dia 10 de agosto de 1877 esse reclamante, pela segunda vez - a primeira, oito dias antes, foi no dia 2 de agosto - , invadiu Baía Formosa para matar os moradores que se recusavam a abandonar o povoado. Sob a liderança de Francisco Magalhães os habitantes resistiram ao ataque e impuseram uma derrota humilhante aos invasores. Esse evento insensato ficou conhecido como a Matança de Agosto. Agora, mais propriamente, já se fala na Resistência de 10 de Agosto de 1877.

          O município foi criado em 1958, mas a sua área territorial que ocupa somente 250,1Km², só foi desapropriada da Fazenda Estrela em 1980 pelo governador Lavoisier Maia, quando era prefeito Samuel Monteiro da Cruz.

domingo, 12 de agosto de 2012

Vetou por quê?



                                                                                                     Dario Franco

          O prefeito de Baía Formosa Nivaldo Melo vetou um projeto de lei apresentado à Camara Municipal pelo vereador Wagner Nobre que autorizava a construção de um monumento à memória de Francisco Magalhães, líder do episódio conhecido como a Matança de 10 de agosto de 1877.

          Perante aos ministros da eucaristia e da assembleia de fiéis que acorreram à missa do 135° aniversário do evento, no dia 10 de agosto 2012, em memória de Francisco Magalhães e dos resistentes, o prefeito Nivaldo disse que vetou porque “discordava do inciso primeiro” que definia a construção do monumento em sessenta dias”.

         Poderia, então, ter vetado somente o inciso com o qual ele discordava como é a praxe. Por que vetou tudo mais que foi proposto, se ele concordava com a criação do espaço cultural, conforme afirmou perante àquela assembleia?

          E mais, o inciso primeiro a que ele se referiu, como está na proposta de lei diz assim: “A localização do monumento da Resistência... e terá a sua localização definida no prazo de 60 (sessenta) dias...

          Ora, o documento não diz construir o monumento em sessenta dias. O documento diz localizar. Ou seja, sessenta dias é o prazo para dizer aonde vai ser construído. E dizer aonde vai ser construído não implica em nenhuma ilegalidade ou inconstitucionalidade. Só uma ação administrativa do executivo: o monumento vai ser aqui. Pronto. Só isso.

          Por certo, um engano na leitura. Por certo, uma interpretação equivocada. Acontece!

          Se foi isso é fácil retirar o veto e aprovar a Lei que foi proposta no início de abril deste ano.

          Acho aquela lei justa. Criar um espaço cultural para fundamentar a história de Baía Formosa.

sábado, 11 de agosto de 2012

A Resistência

                                                                                                                              Dario Franco


          Ontem, depois de cento e trinta e cinco anos de um grande silêncio, Baía Formosa falou de si mesma: a matança de 10 de agosto de 1877 não foi matança, gente, foi resistência.

          Sim! Isso mesmo! Não foi matança, foi resistência! E dissemos isso abrigados e escudados na Igreja de São Pedro e na capela de São Pedro!

          O Pe. Schirleno, como um profeta, gritou que disseram matança de agosto para nos envergonhar. E é verdade gente! Calamos de vergonha durante exatos cento e trinta e cinco anos. Mas, o mutismo cessou ontem.

          O Pe. Luís Paulo, nosso mais festejado e mais ungido filho, sacerdos in aeternum, como um semeador, distribuiu sementes de memória e nos ordenou que partíssemos para o campo, como ele mesmo o fará, e plantássemos a partir de hoje as sementes da nossa altivez e do nosso ufanismo. Que vestíssemos a túnica da coragem de Francisco Magalhães, que tomássemos também o escudo do destemor dos resistentes de 1877 e preparássemos a esperança de uma grande colheita em 10 de agosto de 2013.
         Ele nos disse ainda que o conhecimento da nossa história alimentará o nosso amor e nutrirá a nossa busca de um futuro sem humilhações.

          E essa conclamação, eu vi, foi feita para uma assistência dominada por uma juventude tão destemida e tão intrépida como exigiu a ação da resistência de 1877. Eram jovens escolares. A maior promessa do nosso amanhã.

          Como iremos fazer isso? Essa nova tarefa não exige planejamento, estratégia e disponibilidade? Não foi com planejamento, estratégia e disponibilidade que os resistentes de 1877 lograram êxito?

          Inscrevo-me para essa semeadura e aguardo a convocação.