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sábado, 8 de setembro de 2012

A Enseada Iluminada




Dario Franco



            Estavam em Barra de Cunhaú e poderiam muito bem ter empreendido a viagem de volta, no rumo norte, como fora previsto. Deveriam estar no hotel em Natal às 22h00 para o jantar agendado com os outros integrantes da comitiva de negócios. Seriam brindados com a voz cosmopolita de Marina Elali, num repertório de baiões brejeiros.

            Foi uma visão inesperada que aguçou a atenção do pequeno grupo de empresários e por pouco não cancelou o festim mimoseado com os acordes de Gonzagão.

            Em meio à escuridão que chegou depois do lusco-fusco, há alguns quilômetros dali, uma gigantesca falésia apareceu iluminada. Era majestosa como uma catedral gótica, bela como um templo clássico, esplêndida como um santuário natural e colossal como as coisas que nos fazem apequenados. As luzes brancas e vermelhas que se projetavam na parede fantástica caíam de volta no mar encrespado e o balouçar ininterrupto dos fulgores refratados na água da grande baía criava uma sensação surreal e única e embevecedora.

            Diante do fascínio dos visitantes perante a visão espectral, o garçom do bar, com a intimidade e o enfado dos que se habituaram ao extraordinário, respondeu: é Baía Formosa.

            E ainda porque perguntado discorreu sobre os cerca de oito ou dez quilômetros que os separava do coração daquela enseada. A maré alta e os veículos impróprios frustravam o acesso pela praia. Restavam, por certo, os percursos pela BR-101 e a RN 062.

            Acordei com o rasgo estridente de uma moto enlouquecida por um piloto inconsequente. Mas, agora despertado, aquele sonho me parecia tão real como se verdade fosse.

            Contei aos circunstantes que encontrei ali no largo onde D. Zeza nos premia com sopas quentes e tapiocas aprazíveis e únicas como a nossa baía que eu a batizei de Aratypicaba, e perguntei: seria possível tal projeto? E as barreiras iluminadas não emprestariam mais valor a esse singular patrimônio cênico-paisagistico? E não levariam também, noite adentro, até aos olhos de quem se achasse em Barra de Cunhaú, Sibauma, Pipa e algures a divulgação da nossa beleza maior? E não confeririam identidade àquele recôncavo?

            Indago agora a você que me lê: seria possível?

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