domingo, 2 de setembro de 2012

Que lembranças deixamos?





Dario Franco


          Não considero Cazuza um poeta sequer medíocre. Também não avalio o juiz Joaquim Barbosa como um heroi nacional. Bom barnabé vá lá. Mas, acho a tenacidade de Lucinha, mãe do menino que ela ainda não deixou morrer, o ponto alto da engenharia desse segundo tempo de vida do cantor, dessa sobrevida na memória contemporânea.

         Cazuza vivo estaria hoje com cinqüenta e quatro anos. Morto é um moço de trinta e dois anos que a mãe transforma em adolescente quando fala das suas irresponsabilidades como se de rebeldia se tratasse. A favor dele estão a obstinação da mãe e a precocidade da morte, ainda que turvada pelas fotografias do seu quase estado terminal. 

          Cazuza sem Lucinha nem seria mais. Duvidam? Os acima de trinta anos lembram-se de Lauro Corona? Foi contemporâneo do Cazuza e morreu com trinta e dois anos um ano antes de Cazuza se findar. Precisei pesquisar no Google pra recuperar o nome dele. O termo associado que o fiz palavra chave foi AIDS.

          Temo que o nome lucinha já remeta para HIV, filantropia, caridade, sei lá mais o quê. Amparadora de crianças soropositivas. E será por isso que ela será lembrada quando for saudade.

          Para muitos, o nome Cazuza já remete somente a uma sociedade: a Viva Cazuza.

         Não sei como se chamava a mãe de Beethoven nem a de Tom Jobim. Mas, me lembro de uma penca de composições deles. Ajuízo que Caetano Veloso gerou D. Canô.

         Afinal, que lembranças deixamos?

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