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terça-feira, 27 de novembro de 2012

Aos educadores




                                                                                                                          Dario Franco



           Por onde começar este artigo?

           Principiar dizendo, por exemplo, que prática e teoria são lados de uma mesma moeda?

          Ora, todo mundo sabe que a prática nasce primeira; e que a teoria é a descrição cabal do como se faz a coisa. Praticam-se inúmeras vezes, experimentam-se, e quando está tudo conforme dizemos aos outros como é que se faz. Então, a resposta para a pergunta: quem nasceu primeiro, a prática ou a teoria, a resposta é: a prática, claro está.

          Mas, não é sobre isso que eu quero escrever. Quero registrar, quero identificar com clareza a filosofia dos que são contra a aprendizagem. Dos que combatem a escola, dos que desvalorizam a educação e, para isso, usam as palavras prática e teoria como termos antagônicos e excludentes. Então, mãos à obra. Vou tentar.

         O enaltecimento da educação se faz com proposições claras. Ela é um valor universal. E até entre os que não frequentaram a escola, a educação é colocada no topo da escala de valores. Mas, o combate à instrução, surpreendentemente, também tem uma filosofia, embora se expresse de modo velado e use termos equívocos.

          É fácil identificar a base dessa filosofia canhestra de exaltação ao analfabetismo pelas proposições e pelas suas conclusões. Uma delas, por exemplo: esses cursos só dão teoria; os alunos saem de lá sem saber fazer nada; entre um trabalhador que sabe fazer e um que fez um curso eu prefiro o que sabe fazer. Ou então: o mestre de obras sabe mais do que os engenheiros. E outras que o leitor facilmente identificará no dia a dia.

         Pois bem, os adeptos dessa filosofia costumam valorizar o amadorismo (o improviso, a meia boca, a gambiarra) em detrimento do profissionalismo, e de exaltar os que sabem fazer uma coisa com desenvoltura sem nunca terem ido à escola em detrimento dos que buscaram a aprendizagem profissional. Se lhes perguntarmos se são contra a educação, responderão estupefatos que não. Mas, não se engane: a boca fala daquilo que está no coração.

          Penso que a adesão à filosofia da desvalorização do saber tem bases múltiplas: para uns é a preguiça intelectual mesmo, para outros é o sentimento interior de incapacidade, mas, para muitos é o modo de garantir uma mão-de-obra barata porque desqualificada.

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