segunda-feira, 21 de janeiro de 2013

A cultura como patrimônio




Dario Franco


                    Qual o nosso patrimônio municipal? E a quem compete, em primeira instância, a catalogação e a preservação desses bens?

                    Primeiramente ao poder municipal, e concorrentemente ao estado e à União.

                    Mas, até onde se conhece, o executivo municipal de Baía Formosa-RN ainda não operou nessa área de sua competência.

                    Estranho porque ao se definir o turismo como um viés econômico do município, era de se esperar o pronto tratamento da questão. As intervenções inapropriadas tanto na cultura como no patrimônio material talvez surjam exatamente pela falta desse tombamento.

                    Ora, se dividíssemos o nosso patrimônio público municipal em dois grupos: material e imaterial, certamente que alinharíamos a cultura no rol dos impalpáveis, no acervo dos imateriais, e nem por isso menos precioso.

                    É certo que o patrimônio físico tem maior visibilidade e mais fácil identificação.

                    Ainda assim não há registro do seu tombamento por parte do poder público municipal. E se não há tombamento descura-se a preservação. Por exemplo: sabe-se que a baía que inspirou o nome português da cidade, é a maior baía no litoral do Rio Grande do Norte, e que ela se inscreve na lista do nosso patrimônio paisagístico. Pois bem, ela foi dilapidada pelo próprio poder público municipal com a introdução de uma cascata de esgoto. Outro exemplo é a capela de Nossa Senhora da Conceição construída no séc. XIX. Por certo o mais antigo patrimônio arquitetônico do município. Essa capela, em estilo colonial simples, foi dilapidada com a construção de um sineiro em estilo ambíguo. Também sem pejo substituiu-se o piso secular.

                   Já no que diz respeito ao patrimônio não palpável, o patrimônio cultural propriamente dito, a questão tem proporções desencorajadoras. Pode-se identificar ao menos uma dezena de dilapidações que atingem a história do município, adulteram a toponímia e desfiguram a tradição.

                  Há cerca de um ano começou-se o avivamento da memória do município. Uma iniciativa da sociedade civil. O 10 de agosto de 1877 foi escolhido para inaugurar o movimento. A Prof. Gaspatônia e o radialista Luiz Eduardo – Lu – lideraram o avivamento. Mesmo instado, o poder legislativo furtou-se e o executivo negou a criação de um espaço cultural destinado a reverenciar a memória do herói do 10 de agosto, Francisco Magalhães.

                 Entretanto, a continuação desse trabalho requer a estruturação de um serviço que garanta a continuidade e a permanência do objetivo. E essa organização se faz sentir necessária tanto no âmbito do poder público quanto no da sociedade civil.


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