quinta-feira, 23 de janeiro de 2014

A maior baía do Rio Grande do Norte


Dario Franco

Preciso dizer inicialmente que considero a baía que emoldura a cidade de Baía Formosa um belo patrimônio paisagístico.

E preciso dizer mais três coisas que eu penso sobre ela:

  1.           A primeira é que essa baía, sendo um patrimônio, não tem sido bem cuidada como se deve cuidar de uma riqueza. Não conheço nenhuma ação ambiental levada a cabo para erradicar, por exemplo, o derramamento de óleo das embarcações nas suas águas. Mas, se não cuidássemos, mas também não a sujássemos, já estaria de bom tamanho. Contudo, foi o poder público, a Prefeitura Municipal de Baía Formosa, quem conspurcou, quem profanou, quem poluiu aquela paisagem, primeiramente orientado um esgoto para a falésia e depois edificando patamares para a queda das águas esgotadas (disseram-me que turistas desavisados se banham naquela cascata imunda e depois maldizem quem a construiu);
  2.           A segunda é sobre a reprodução do pensamento colonialista do escritor potiguar Câmara Cascuda sobre o motivo que tiveram os portugueses para trocar o nome da cidade. Os pitaguares a denominaram Aratypicaba. Os lusos trocaram o nome por uma questão de dominação política. França, Holanda, Espanha, Inglaterra e Portugal estavam, lá pelos idos de 1500, empenhados na conquista de novos territórios.                                      Fincar a bandeira no solo do novo domínio  era garantir a conquista.                                                                                                                                                         Ora, o colonialismo, como doutrina política, considera que a cultura do invasor é sempre superior a do povo que sofre a invasão.  E esse é o motivo que fez os portugueses colonialistas mudarem o nome: tiraram o nome da língua tupi, a língua então falada, e impuseram a língua dos colonizadores.  Não falamos português por acaso, nem a América espanhola fala espanhol por capricho, nem a África do Sul fala inglês por diletantismo, nem os indianos de Goa falam português porque acham essa uma língua exótica. Dizer que os portugueses ficaram “enlevados com a beleza” e decidiram trocar de nome do lugar é um besteirol que inscreve quem o repete no rol dos néscios de carteirinha. Pensar que todo turista é também analfabeto é um engano. Alguns vão olhar a placa com essa estupidez e rir da cara de quem quis lhes  impingir uma estultícia;
  3.           Por último preciso  dizer que esse belo patrimônio paisagístico não tem um nome. Não tem uma identidade. Eu o chamo de Baía de Aratypicaba por motivos óbvios: se tiraram o nome da cidade, por que não nominá-la       com o nome primitivo?                                                                                                                                                      Para terminar, lembro que dar um nome a um lugar público é função dos vereadores.    Ficamos esperando a iniciativa de algum edil que tenha compromisso com a cultura de Baía Formosa antes que um aventureiro a nomine com identidade comercial ou ela ganhe o nome de Baía do Esgoto ou Cachoeira do Esgoto.
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