sexta-feira, 19 de setembro de 2014

Praia de Bacupari - ou A estética da miséria.


                                                                         Dario Franco

Em 1968 eu estava na praia de Bacupari em frente a um coqueiral onde se assentava a casa de taipa, coberta de palha e sem piso onde morava o Zé Bitinho com a mulher e a filharada. 
  Tinham uma vida muito difícil.

Pois bem, conversa vai conversa vem, Fernando lá do Recife, contemplando aquela casa e aquela gente, e vendo a pobreza afrontosa e desumana, suspirou fundo, e com uma voz melíflua soltou: “uma pena que o progresso vai destruir toda essa beleza”.

Será que o Fernando lá do Recife é eleitor do Aecin, gente? Será? Ou ele adicionou ao seu ver estético também o bem estar humano?

quarta-feira, 10 de setembro de 2014

Jesus é cabo eleitoral

                                                                                        Dario Franco
                



    
       Roberto Freire era candidato a presidência da República. Faz tempo.
                Um eleitor me disse que não votaria nele porque ele, o Roberto Freire, era ateu. Argumentei que a eleição não era pra escolher o papa nem o pastor da universal. Intransigente, ele insistiu: não voto em ateu.  
                 Bom, tempos depois FHC foi eleito. Não sei se com o voto daquele eleitor.
                As religiões são primeira e unicamente sociedades políticas. Oriente islâmico X Ocidente cristão. Roma inventou uma religião pra se contrapor ao Oriente. O cristianismo é europeu. As cruzadas são um capítulo bélico na história política do mundo. O Estado do Vaticano convém ao Ocidente, embora censuremos as teocracias islâmicas orientais. A arquitetura das mesquitas e das igrejas é exibição explícita e inconfundível de poder político. O coque que a Marina Silva usa é ícone da mulher virtuosa entre os protestantes (só as mundanas cortam o cabelo ). O pastor da assembleia de deus que justifica os crimes de Israel contra os que vivem na Faixa de Gaza o faz com a mão sobre a Torá de Moisés.
               Entre nós, os marechais que proclamaram a nossa república diante dos "bestializados”,  a quiseram laica por força da moda conntiana, é bem verdade. 
               Contudo, até hoje a nossa constituição é promulgada "sob a proteção de deus”; os tribunais exibem os crucifixos nas suas salas de julgamento; o parlamento tem bancada evangélica; as igrejas não pagam imposto de renda; uma catedral  católica se alinha na Esplanada entre os ministérios da república; e as autarquias da república gastam o dinheiro dos impostos com os mais belos arranjos natalinos. A iluminação de natal na Esplanada dos Ministérios, paga com o dinheiro público, é bom insistir, é majestosa. Eu acho.
               Logo, culto é comício, púlpito é palanque e Maomé é cabo eleitoral.