sábado, 20 de dezembro de 2014

A consulta


                                                                                                     Dario Franco

Consultei aos meus amigos formosenses daqui do Facebook a propósito da reforma da Praça Eliza Carlota. Indaguei se gostaram ou não gostaram. A pesquisa foi iniciada no dia 16 de dezembro/14 e terminada no dia 20 de dezembro/14 – duração de quatro dias – .

 Eis os resultados:

Entrevistados:   24 = 100%

Responderam:   14 = 58,3%

Não responderam:   10 = 41,7%

Sim, gostaram da reforma:  7%

Não gostaram da reforma:   93%


            O número dos que não responderam – 10 – foi muito alto. Isso pode significar: 1) que o meio – MSN (in Box) é pouco familiar aos usuários do Facebook; 2) que o acesso à internet é esporádico; 3) ou que os consultados não ficaram a vontade para responder por estarem identificados.

            A coação política é uma faceta da ditadura que ainda está fortemente presente no governo da Prefeitura de Baía Formosa-RN e alguns entrevistados – 6 – (60% dos que não responderam) têm vínculos políticos, comerciais ou administrativos.

            A quase unanimidade dos que responderam que não gostaram da reforma reflete a tendência das conversas informais.

quinta-feira, 11 de dezembro de 2014

Compartilha aí




Dario Franco


Estava carente e sabia que estava muito carente. As suas postagens na rede já não recebiam curtidas nem compartilhamentos. E se recebiam eram parcos, pálidos e distantes do surpreendente interesse ou da instantânea admiração que ele esperava despertassem suas intervenções  nos 2.413 amigos da sua conta.

 De vinte compartilhamentos diários a média caiu para três, para dois até zerar.

 Esperando uma reação retumbante postou: Amo minha mãe. Quem ama a sua mãe compartilha. Só o namorado da mãe fez um compartilhamento dúbio. Nada mais. E não era filho único.

 No dia nove último ele postou: Se você acha que hoje é dia de agradecer a Jesus compartilha aí. Inútil o apelo ou a apelação. Dois dias depois ninguém sequer curtira, muito menos compartilhara.

Estava desiludido. E sabia que estava muito desiludido com os amigos. Não pensou em suicídio, mas postou em negrito e caixa alta no seu “status” uma frase que ele mesmo criou com relativa dificuldade, mas com forte apelo impactante: NÃO VALE A PENA VIVER. Achou um pensamento profundo e avassalador. Contudo, com o intuito de despertar o interesse dos cultos, atribui a autoria da pérola literária a pobre Clarice Lispector. José Saramago e Drumond de Andrade escaparam dessa.

Ficou feliz quando viu o sinal vermelho no ícone da notificação: “ Lidiane comentou seu status”. Pressuroso abriu o link e leu o comentário da ex-mulher: kkkkkk.

A Praça Eliza Carlota







 Dario Franco




Mais do que uma praça a Eliza Carlota era uma janela. A janela da sala de visitas da cidade para a vastidão do mar.


Aquele enorme espaço urbano, aquela rua assim interrompida, ficou ali durante anos, não sei por qual motivo, e todos entenderam que a vocação do espaço livre era a abertura para a nossa contemplação e para a entrada dos ventos que nascem no mar.


Somos uma gente contemplativa. Gostamos de ficar olhando o mar. É nosso jeito.


Pois bem, um dia aquele espaço urbanizou-se e, com um projeto arquitetônico duvidoso, virou um belvedere. Ganhou o nome de Praça Eliza Carlota, iluminação de metrópole moderna, bancos sem conforto porque com dupla finalidade de acento e parede de canteiro, e um televisor porque era moda interiorana do tempo em que nem todos tinham o equipamento em casa.  Mas a vocação de janela para o além-mar restou intacta. Foi sabiamente preservada. Acho mesmo que por consciente apreensão dessa realidade.


Durante anos a av. João Ferreira de Souza, como um rio ligando o Turano à Praça Eliza Carlota despejou todas as noites, coletando de inúmeros afluentes, adolescentes e jovens naquele espaço, e celebrou festas especiais ou as do cotidiano viver. Os turistas fizeram dali um ponto de convergência. No verão, era ali que os surfistas se congraçavam.


Comerciantes não sabem interpretar a sociologia dos espaços urbanos. Isso aprendem os arquitetos.


Aí, um dia, chegou um comerciante sem pudor e sem modéstia e cerrou a janela que dava para o além-mar. Isso nos tirou o campo que nos permitia a apreensão do belo e do mágico. Onde fora o belvedere fez quiosque para mercadorias e num paredão cego, levantado para cobrir todo o campo de visão, manteve o televisor, que já não atrai ninguém, olhando fixamente para o Turano distante.


Uma obra feia, sufocante e inútil. Comerciantes não deveriam ir além do mercado.


O primeiro candidato a prefeito que disser que vai reabrir a nossa janela de contemplação terá o voto e a militância dos jovens.


No dia da demolição dos horrendos paredão e quiosques a juventude jura que vai celebrar a festa da abertura da janela para o além-mar.