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sábado, 22 de agosto de 2015

A homenagem dos pequeninos




Dario Franco

         Francisco Magalhães, durante mais de um século te negamos uma homenagem.
         É como se o teu gesto de resistir aos poderosos, naquele distante 10 de agosto de 1877, para que nós permanecêssemos na nossa casa e na nossa terra fosse um gesto criminoso. É como se a tua intrepidez de lutar por um ideal não merecesse o reconhecimento ou a gratidão dos que se beneficiaram com o teu sacrifício. É como se as mortes de Miguel dos Anjos Pequenino e a do João do Porto não representassem o sacrifício supremo de uma resistência.
Durante anos cochichamos pelos cantos a tua façanha de resistir a João Cunhaú; mas, pranteamos ostensivamente o filho morto do invasor como um herói, e te esquecemos como não devem ser olvidados os afoitos, os desassombrados, os corajosos, os indômitos, os livres de servidão; no nosso imaginário vestimos com farda policial os assassinos homiziados no Engenho Estrela e fizemos crer que a tua resistência era contra o Estado de direito; abafamos o teu nome e os dos teus companheiros com o manto pesado da ingratidão, e o escondemos até ao esquecimento; por fim destacamos o nome do agressor que quis a desgraça e a morte dos formosenses.
A Câmara de Vereadores tem negligenciado a homenagem de uma data para a celebração do teu feito que nos garantiu permanecer vivendo nessa terra encantada e farta, e a Prefeitura Municipal tem te vetado a memória que se preservaria num espaço público para as gerações cultivarem o valor da resistência contra o arbítrio e contra o desmando.
 Mas eis que de repente, Francisco Magalhães, os pequeninos da Escola Municipal João Batista de Mendonça – EMJBM – acenderam a chama da tua lembrança e agora no aniversário de 138 anos da Resistência, saíram pelas ruas a proclamar o valor da coragem, da obstinação e da gratidão pela tua bravura. A iniciativa da direção e do corpo docente da EMJBM, semeando a nossa história em terra nova e fecunda, aponta para um tempo de reconhecimento e de preservação dos valores cívicos da nossa terra e, por isso, exige a nossa mais entusiasta louvação. 
  

 
Foto: Mariana Ribeiro Prestes
Foto: Mariana Ribeiro Prestes