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terça-feira, 15 de dezembro de 2015

Narciso envelhecido.



                                                                   
                                                                         Dario Franco

          Ninguém quer envelhecer. Nem morrer. É uma tragédia o envelhecimento.
           Fiz projetos muito secretos para a minha velhice. Deixei-os inéditos. Ainda bem! Revelo agora que para a dor estampada na face dos velhos, por exemplo, eu muito jovem,  tinha projetado um sorriso constante, como o dos adolescentes que, mesmo tristes, são belos.
           Agora sei que aquela dor está em cada célula do corpo que decai. Não há lado de dentro nem de fora, nem o desabamento da vida permite a minha intervenção no sentido de sustentá-la.
            Do cérebro ainda me saem sorrisos, mas chegam transformados no semblante  impiedosamente desfigurado. Os rictos da minha face envelhecida moldam a tristeza excêntrica que eu não tenho nem a queria me identificando.
            Narciso não se apaixonaria se se visse assim naquela mesma fonte que Ovídio me descreveu “Fonte sem limo, pura prata em ondas límpidas jorrava.”
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