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terça-feira, 19 de janeiro de 2016

Entrevista




             Encontrei-me com Dario Franco  
                                   na     pousada Sonho Meu.
 Ele tem uma leitura diferente 
sobre o motivo da troca do 
nome Aratypicaba por Baía Formosa. 
Aproveitei para entrevistá-lo.


Augusto Freitas – Sempre nos disseram que o motivo da troca do nome de Aratypicaba para Baía Formosa foi por causa da beleza da nossa baía. Li algumas publicações em que você nega isso. Por quê? 

Dario Franco – Olha, a baía de Aratypicaba é muito bonita. Ela é majestosa. Ela é seguramente o nosso maior patrimônio paisagístico e isso tem uma importância muito grande para o turismo.  Ela é realmente muito bonita, apesar de toda a degradação que a temos submetido, e da pouca atenção que ela tem merecido do poder público municipal. E é a maior baía do RN. 

Augusto Freitas – Você está dizendo que a Baía de Aratypicaba está desprezada, é isso?

Dario Franco – Sim. Nós a fotografamos de longe. Desconfio que ela seja a paisagem mais fotografada de Baía Formosa. Digo até que o melhor que existe em Barra de Cunhaú é a vista da nossa baía. (risos) Mas, quando resolvemos passear nela nos deparamos com esgotos que poluem as águas do ancoradouro onde os pescadores desembarcam o peixe que nos alimenta. A administração pública municipal fez até uma cascata com um esgoto. 

Augusto Freitas –  E o que poderia ser feito pela Baía de Aratypicaba?

Dario Franco – Acho que a população de Baía Formosa deveria começar um movimento de valorização da Baía de Aratypicaba. E a primeira coisa a ser feita, me parece, é a despoluição do ancoradouro. É uma questão de saúde pública, primeiramente.

Augusto Freitas – Vamos retomar a nossa questão. A beleza não foi o motivo da troca de nome?

Dario Franco – Não. O que determinou a mudança do nome é outra história.

Augusto Freitas – Mas, o escritor Câmara Cascudo afirma textualmente “ os portugueses enlevados com a beleza da enseada...” trocaram o nome de Aratypicaba para Baía Formosa...

Dario Franco – É verdade que ele escreveu essa estupidez. E eu não acredito que Câmara Cascudo escreveu isso por inocência. Ele era a favor do colonialismo e eu acho que ele escreveu para manipular a história. Do mesmo modo que ele escondeu o índio na nossa história. Tenho como certo que ele sabia o que estava fazendo. Muita gente repete isso por inocência ou por ignorância da história.

Augusto Freitas – Foi coisa inventada?

Dario Franco – Sim. Mas, é uma invencionice ideológica para dourar a pílula, como se diz, para justificar o colonialismo que é um capítulo cheio de muita barbaridade. Todo colonialismo é uma atrocidade, tem muito assassinato, muito roubo, muita espoliação cultural. Aqui eles mataram uma língua, o tupi para impor a deles. E se fossemos cobrar a madeira (pau-brasil) que a França, Holanda e Portugal roubaram daqui? E esse lado bestial é sempre escondido por quem conta a história. Que, enfim, são eles mesmos.  Essa historinha de que foi pelo enlevo poético que mudaram o nome, quando repetida, vira um besteirol.

Augusto Freitas – E qual foi o verdadeiro motivo da troca do nome?

Dario Franco – Foi marcar com a língua portuguesa a dominação de Portugal. Tirar a língua que se falava aqui, o tupi, e impor a língua deles. Fizeram isso em todo o Brasil, não foi só aqui. Os franceses e os holandeses já estavam incursionando por aqui.

Augusto Freitas – O mesmo que fizeram os espanhóis aqui na América, né?

Dario Franco – Isso. Olha, os séculos XV e XVI foi um período de conquistas. E Portugal liderou as grandes navegações. Os países da Europa queriam expandir as suas economias, seu comércio. Portugal não estava sozinho nesse negócio, havia outros. Então, a competição era braba.

Augusto Freitas – É! E muitos historiadores dizem que quando os portugueses chegaram por aqui por volta de 1500, outros países já tinham chegado aqui antes. É o caso da França aqui no nosso porto?  

Dario Franco – Com certeza. Mas, retomando a sua pergunta anterior, quando os portugueses chegaram aqui no Brasil os brasis (os índios) já tinham colocado nome em tudo. Os cartógrafos, então faziam os mapas ouvindo os brasis (os índios) e escrevendo o nome que eles diziam. O tupi era uma língua oral, não tinha escrita. Por isso, nos primeiros mapas os nomes estão em tupi. Depois, para marcar as terras e dizer que elas foram conquistadas por Portugal, faziam mapas e trocavam os nomes. Era uma forma de dominar. Hoje não falamos mais o tupi, mas, o português que é a língua dos invasores, a língua dos colonizadores, a língua dos dominadores.

Augusto Freitas – Dario Franco, muito obrigado pela entrevista.

Dario Franco – Sempre à disposição.

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