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domingo, 8 de maio de 2016

Dia da Mães



                                 Dario Franco

Hoje é o dia das cozinheiras domésticas.
Com o título de mãe, que também o são, as cozinheiras lotam os restaurantes com a alforria - e euforia também - da comemoração.
É como se fosse uma greve geral consentida pelos filhos agora adultos e patrocinadores compulsórios do regabofe. Ouve-se até um “pra quê isso? precisa não, só pra gastar dinheiro, eu mesma faço” e, claro, o retruco esperado “não, mãinha, você merece mais do que isso, ralado eu não pagaria sua dedicação”. E outras coisas do gênero. É uma conversa quase nojenta.
Do lado de fora do restaurante self-service tem um alvoroço. Acho que é da espera nervosa que já se arrasta para as duas horas. O sol está forte e a temperatura registra 31º  Celsius à sombra.
Desocupada uma mesa, anunciada por um garçom esbaforido, a corte da vez adentra agitada, mas a cozinheirona , transforma-se em rainha da Inglaterra e desfila  solene e lentamente  com a certeza de que lhe reservarão o assento em reconhecimento a sua “sublime missão” de mãe, não de cozinheira doméstica, é bom que se diga desde logo.
Agora, sentada, ela comenta o prato que lhe prepararam e deixa claro que o macarrão “al dente”, preparado com muito esmero, está quase cru. As cozinheiras profissionais, e também mães é bom que se diga, que estão na cozinha do restaurante desde as 4h da matina não ouvirão  a crítica mas, perdoariam se a ouvissem.
Coma um sanduíche ou coisa que o valha, mas não se aventure a procurar hoje um restaurante ou mesmo lanchonete que seja.
Amanhã pode ser. Hoje não! Hoje as cozinheiras domésticas, digo, as mães, estão liberadas para lotarem os restaurantes.
Não vale o lugar comum de Baby Consuelo: todo dia é dia de índio, mas na terça-feira, munido com um farto ramalhete de rosas vermelhas, vá ao restaurante e homenageie as mães que ficaram  de plantão no domingo passado para lhe ajudar a homenagear a sua mãe.
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