terça-feira, 23 de agosto de 2016

A Abanfar




                                                Dario Franco

Há quatro anos eu recebi uma mensagem, via MSN, da professora Suzana Magaly.
 Ela me informava, naquela ocasião, que a Abanfar tinha escolhido a Francisco Magalhães como seu patrono.
Mandou-me mesmo uma fotografia de um belo estandarte da orquestra ostentando o nome do seu patrono recém-escolhido por escrutínio direto pelos seus integrantes.
Agradeci a notícia e pedi a professora Suzana Magaly que transmitisse aos músicos o meu aplauso e a minha incontestável admiração pela figura histórica de Francisco Magalhães, um formosense corajoso e digno que viveu no século XIX e que inaugurou a nossa cidadania.
Pois bem, neste ano de 2016, no 139º aniversário da Resistência de 10 de Agosto de 1877, para homenagear o seu patrono no dia dele, a Abanfar programou um concerto e um encontro comigo para conversar sobre o fato da Resistência.
Fui ter com os músicos na Escola Municipal João Batista de Mendonça, onde promovem os ensaios. E o concerto foi ao ar livre, na Praça  Carlota Eliza que por engano a chamaram de Eliza Carlota.
Pois bem, foi nessas duas ocasiões que eu me deparei, pela primeira vez, com a Abanfar, e pude avaliar a importância da notícia que a professora Suzana Magaly me mandará já fazia quatro anos.  
Meus amigos, permitam-me dizer, eu estava diante de um dos mais extraordinários projetos culturais já inaugurados em Baía Formosa-RN.
Extraordinário porque ele é exitoso em que pesem as enormes dificuldades de torna-lo exequível, e o maestro Tiago também sabe do que estou a falar;
 extraordinário porque é uma iniciativa da comunidade e levada a cabo pela comunidade;
extraordinário pela qualidade do conhecimento musical que se transmite aos alunos integrantes;
 extraordinário pela quantidade de talentos musicais revelados em nosso meio;
 extraordinário pelo entusiasmo dos seus alunos integrantes;
extraordinário porque cria oportunidade do desenvolvimento intelectual e moral da juventude;
 extraordinário, enfim, porque ele aponta para um futuro de grandeza, para um futuro de elevação do nome de Baía Formosa.
Em dez anos, e isso não é vaticínio, a Abanfar estará se apresentando nos melhores palcos do País.
A Abanfar me enche de deliciosa emoção e de valiosa estima.
Congratulações aos seus idealizadores e integrantes.




sexta-feira, 19 de agosto de 2016

Carta ao Dr. Francico Canindé Cavalcante


Baía Formosa, agosto de 2016.
139º da Resistência de Francisco Magalhães
 
Meu caro amigo
Dr. Francisco Canindé Cavalcante,

        Se a Constituição Brasileira nos assegura o projeto de iniciativa popular, penso que o uso desse instituto para a construção de um Espaço Cultural que abrigue o Museu da Cidade e a Memória de Francisco Magalhães é oportuno e adequado.
 Oportuno porque já se quebrou o silêncio que  fazia o fato ser esquecido, e adequado porque o avivamento da memória  do herói Francisco Magalhães está se firmando primeiramente  no seio da comunidade. Ou seja, é uma força que nasce do povo. Assim, penso, deve ser um projeto que estabeleça a sua materialização.
        Aderindo às concepções arquitetônicas mais modernas dos museus, é minha sugestão que o projeto defina o Espaço Cultural como lugar de abrigo das atividades sociais e culturais da cidade – não temos até agora um auditório que receba as nossas manifestações – . Isso inibiria a redução do Espaço Cultural a um pedestal, a uma estátua ou a uma placa.
Gostaria de pedir ao amigo, caso concorde com a apresentação à Câmara de Vereadores por via de um projeto de iniciativa popular, que esboçasse um anteprojeto de lei da construção do Espaço Cultural para ser apreciado por um grupo e por entidades representativas da nossa sociedade.
Sabendo-o generoso e comprometido com Baía Formosa, aguardo ansiosamente o seu pronunciamento.  
Dario Franco

segunda-feira, 15 de agosto de 2016

É preciso fazer justiça.





                                                                                               Dario franco


Tenho repetido ao longo desses últimos cinco anos que Luis Eduardo, meu amigo Lu da FM, é o principal baluarte da campanha já vitoriosa, de avivamento da memória da Resistência do herói Francisco Magalhães.
Não nego a minha participação e não aponto o Lu como principal baluarte da campanha por falsa modéstia ou por bajulação. O faço por uma questão de justiça. Vou expor:
A brilhante página da nossa história – a Resistência de Francisco Magalhães – apagou-se através dos mais de cem anos. E apagou-se, não porque os nossos governantes de antanho e de agora tenham sido descuidados. Mas, apagou-se por uma contingencia que a ciência sociológica nos socorre para nos fazer entender.
 Somos, ainda agora, uma civilização oral. Nossos antepassados potiguaras não tinham escrita. O tupi era somente língua falada. Nossa oralidade é atávica, portanto. E sabe-se que a transmissão oral tende a se corromper e a se apagar através dos tempos. E isso ocorreu com o 10 de Agosto de 1877.
No final da década de 1960 eu escrevi um conto sobre o fato baseado numa pesquisa historiográfica. Meu intuito foi o de resgatar a história.
Pois bem, durante mais de quarenta anos, esse conto permaneceu guardado, sendo que os últimos seis anos, ele esteve publicado na internet - francodario66.blogspot.com -.
Num dia de janeiro de 2012, queixei-me ao Lu que aquele conto nunca despertara a atenção de um formosence. Ele permanecia inédito na cidade, e a nossa memória apagada. Foi aí que o Lu, numa tirada de gênio, me disse: “se a oralidade é coisa nossa, por que você não grava?”
Como eu não tinha pensado nisso antes? Não dá inveja?
Gravei com os meus próprios recursos e, só então, começou-se a reativar a memória coletiva.
Lu, muito obrigado pela sua lucidez. Muito obrigado pelo seu grito de “acorda”.
Nenhuma construção é obra de um só. E você é nosso baluarte.

sábado, 13 de agosto de 2016

Um projeto para Baía Formosa-RN




                                                          Dario Franco

Sei que é desde a armação da equação que se garante uma análise consentânea com a realidade que se quer conhecer e sobre ela propor caminhos.
Penso que o modelo político que adotamos aqui em Baía Formosa-RN responde por muitas das questões que nos deixam inconformados, e com o desejo de interferir para arranjar consertos. E por modelo político circunscrevo aqui, para entendimento desta sucinta  análise, o rol de pré-requisitos que queremos encontrar nos candidatos aos cargos municipais.
Até à última eleição de Tomaz Melo tínhamos a ideia de que a propriedade da terra consagrava a indicação como direito natural. E esse era o modelo do latifúndio.
Com Samuel Monteiro e José Galdino inaugurou-se o modelo da oportunidade. O de dar vez ou passaporte para o enriquecimento individual. Por isso, fala-se “dar oportunidade”, “dar chance a outros”. E não é por acaso que até muito recentemente os mais abastados da cidade eram precisamente aqueles que tinham governado a municipalidade.
Esse modelo tem como cerne, como âmago, como princípio inicial a apropriação da coisa pública em benefício próprio, de si mesmo e da família.
Em cima dessa concepção, a da apropriação da coisa pública em benefício particular, assentamos os nossos sonhos e as nossas esperanças de desenvolvimento coletivo. Por certo uma incongruência. Por certo um cabal engano.
No final da década de 1990, surgiu aqui em BF, ligado ao PDT, salvo engano, um grupo de jovens esperançosos e com um sonho político: o de fazer um formosense  governante maior para encerrar o cíclo de lideranças estranhas ao nosso universo de Baía Formosa. Entendiam aqueles moços que o atraso em que vivíamos devia-se à entrega dos nossos destinos a mãos estrangeiras.
Conheci-os de perto com a expectativa de saber o projeto do grupo para Baía Formosa e conclui que o modelo de ascensão ao poder que eles almejavam era o mesmo que fizera do município uma mina a ser explorada por um arrendatário circunstancial. Há mesmo uma anedota que circula em nosso meio de que um ex-prefeito daqui de Baía Formosa teria dito ser a prefeitura uma coisa tão boa “que era bom que a gente pudesse arrenda-la”.
 Pois bem, todos os integrantes daquele grupo desenharam as suas conquistas políticas dentro do limite da individualidade: mereço me dar bem porque sou da terra.
 Não havia um projeto político para Baía Formosa.
 De fato, conquistaram um lugar ao Sol como vereador, como vice-prefeito ou como secretário de governo.
Até este ano eleitoral de 2016 não temos um projeto para Baía Formosa além da fraseologia vazia de “trazer benefícios para a cidade”.
Nesse vazio de rumo para o Município, fundamentamos as candidaturas em critérios que não respondem ao destino que almejamos, e insistimos nos critérios inadequados de dar oportunidade a quem ainda não teve e de eleger um da terra.  
Quando os nossos cidadãos se disporão a trocar o voto por um bem público, um bem coletivo?
 Quando surgirão candidatos cuja proposta seja a de colocar Baía Formosa no patamar de paraíso social e econômico?