quarta-feira, 14 de setembro de 2016

A escola política de Baía Formosa




                                    Dario Franco


A escola política que frequentamos e onde aprendemos os princípios da política e o seu objetivo foi fundada aqui em Baía Formosa –RN.
Ela funciona a cerca de sessenta anos e os nossos mestres maiores foram, na atualidade, Samuel e Zé Parrudo que, por certo, importaram a prática que já conheciam.
Há mais de vinte anos, ouvi de um ardoroso jovem formosense o relato entusiasmado de uma eleição vitoriosa que ele ganhara no Águida Sucupira para ser líder de classe.
 Com seis dindins, contou-me, ele comprou os votos que precisava para se tornar o líder de classe dos demais colegas durante um período.
O jovem entusiasmado teria por volta 10 anos quando realizou a proeza que para ele parecia mostrar a sua aplicação na arte da política e na conquista do poder.            
Lembro-me que quando me contou a façanha ainda não tinha uma crítica sobre a sua incursão no mundo da política.
O pai, ciente da necessidade do recurso, financiou os dindins por entender ser aquilo a expressão da inteligência do jovem aprendiz. E financiou satisfeito porque aquela era a prova da aplicação do filho que frequentava a mesma escola onde ele aprendera a ser cidadão.
Para o jovem, o princípio ético que orientou a sua eleição ele o pautara nos pleitos em que se elegem aqui os gestores e vereadores municipais.
Hoje, decorridos muitos anos, fui surpreendido com uma conversa, para mim nada ortodoxa.
 Foi assim, depois de responder a uma jovem com quem conversava, via MSN, que eu achava o Dr. Queiroga o melhor candidato que se apresentava nesta eleição, recebi esta consulta :
E o que vc acha será que ele ganha eu tenho dois voto mais não tenho prefeito é não vou votar sem ter benefício” sic
Minha jovem e bela amiga é da mesma geração do meu antigo interlocutor.
Minha jovem e querida amiga segue os mesmos princípios da escola que formou todas as gerações que vivem hoje e constroem nossa querida Baía Formosa.
Tem-se o entendimento de que política é a corrida para se apropriar da prefeitura e através dela fazer a riqueza daquele que a conquistou.
Por isso, reclamamos uma pequena porção desse negócio que vai enriquecer o eleito e os seus parentes e amigos mais próximos.
Por isso, vendemos o voto que agora minha amiga chama de trocar por um benefício.
E se tivéssemos uma escola que nos ensinasse que a política é apenas a arte de administrar os bens que são de todos?
E se tivesse uma escola que nos ensinasse que o princípio ético que deveria nos balizar deve ser o do respeito e da responsabilidade com o que é público?

segunda-feira, 12 de setembro de 2016

A reeleição de Nivaldo



    
                                          
                       Essa crônica eu a escrevi e publiquei neste blog  em 09/10/2012. Republico agora às vésperas da eleição municipal de 2016.

                                      Dario Franco

          A eleição deste ano de 2012 em Baía Formosa-RN bem que poderia ter sido o confronto entre duas forças: a do passado e a do novo tempo. O passado com toda a sua história de atraso e de incapacidade, e o novo com a visão de levar Baía Formosa para o futuro. E nesse caso teria vencido a força do novo tempo.
          Temo, entretanto que isso não tenha acontecido. Que o confronto tenha se dado entre o antigo e o antigo. E nesse caso os bacuraus teriam sido derrotados.
          Senão vejamos: no período pré-eleitoral as forças antigas tentaram reunir-se num bloco único: araras e bacuraus contra Nivaldo, o novo. A luta interna do pretenso bloco, entretanto estrangulou o sonho do todos contra um. E dividiram-se. Os araras correram para o palanque do Nivaldo e os bacuraus compuseram-se com o moço da farmácia. Até emplacaram um vice para clareza de qualquer analista. Até disseram que o Adeilson era o novo, mas a sombra da foto do candidato não deixava nenhuma dúvida: era o antigo mesmo. O antigo modo de administrar que ancorou Baía Formosa num passado distante, e não permitiu a evolução da vida social, da educação, da economia e de tudo mais. O jeito, enfim, de administrar mantendo o atraso. Já os araras, mesmo não conseguindo uma participação mais emblemática, contentaram-se com uma participação menos retumbante, mas não menos satisfatória, e la ficaram de olho no futuro, de olho no próximo pleito, de olho em 2016.

          Mas, elegendo Nivaldo o eleitorado pode ter dito que quer sair do atraso. Que quer avançar.
         Nesse caso, cabe, pois a Nivaldo preencher o vazio sucessório que o circunda. O vazio que nesse pleito permitiu o ressurgimento das forças vencidas há quatro anos. Garantir, enfim, o programa de trabalho que ele iniciou e que estará ameaçado.
          Bem, já circula em Baía Formosa a notícia que Lúcia Coragem será a indicada pelo Nivaldo. Sendo isso verdade, Nivaldo já estaria refém dos araras. Uma pena. Mas, ainda dá tempo fazer do novo modo de administrar o centro da questão sucessória. O negócio é unir em um só governante as bandeiras de “trabalha pelo povo" e a de "trabalha pela cidade”.

sexta-feira, 9 de setembro de 2016

Carta aberta ao Sr. Tiago Brasilino Ribeiro





Baía Formosa, 9 de Setembro de 2016.


        Sr. Tiago Brasilino Ribeiro, 

Recebi a sua mensagem vias WhatsApp e MSN enviada neste 9 de setembro de 2016.
Devo lhe dizer inicialmente que me surpreendi com a sua mudança de candidato.
 O senhor disse há poucos dias na convenção do PMDB/PRB que Queiroga é o melhor nome para Baía Formosa.
 Entendo, contudo, as acomodações partidárias que os interesses obrigam.
 Não lhe acusaria de incoerência por entender isso muito desrespeitoso. E rechaço com veemência a sua opinião de me considerar incoerente por achar igualmente desrespeitosa por que o objetivo dessa assertiva é me desqualificar.
Indagar se eu não notei mudanças sociais em Baía Formosa no decorrer dos tempos é me qualificar de néscio, Sr. Tiago. É insinuar também que a velhice me impede de entender esse universo novo em que o conhecimento começa a se distribuir.
Ainda tenho lucidez suficiente para entender que isso é um insulto.
Mantive com o senhor um tratamento respeitoso e gostaria de puder continuar assim.
 Minha escolha por Queiroga/Zélio Padilha só tem um motivo: um plano de governo voltado para Baía Formosa. Sem comprometimento com grupos ou famílias.
Certamente, Sr. Tiago Brasiliano Ribeiro, eu sei de todo o seu esforço de conhecer e avivar a história de Baía Formosa. Sei e proclamo como proclamei em todas as oportunidades que me deram.
E em que pesem as nossas escolhas políticas diferentes continuarei fazendo justiça ao seu nome e reconhecendo o seu valor enquanto Deus me permitir.
Contudo, o seu esforço, a sua dedicação à causa do avivamento da memória de Francisco Magalhães e o empenho de muitos outros concidadãos, não se estendem ao  sr. Jucelino nem ao sr. Fábio. Esses dois nomes  estiveram ausentes da luta da fundamentação da nossa cidadania nesses cinco anos da Campanha do Avivamento da Memória de Francisco Magalhães.
Do sr. Queiroga, mesmo sem conhece-lo, recebi repetidamente pela rede social, incentivo e reconhecimento sobre o que estávamos a fazer pela história de Baía Formosa.
Com profundo sentimento de tristeza lhe informo que no último dia 10 de Agosto, quando os alunos das nossas escolas, concentrados na Praça de Eventos, cantavam e davam vivas ao nosso herói Francisco Magalhães, o sr. Jucelino, já candidato a prefeito, ficou a olhar de longe e não se dignou a sair do carro para vir ao encontro dos alunos para  um congraçamento. Que ideias passaram pela cabeça dele para se negar à celebração ou a proclamação do heroísmo de Francisco Magalhães? Sinceramente, eu não sei. Nós nunca saberemos. Mas, o gesto dele, seguramente, não foi de adesão ao esforço daqueles alunos de fundamentarem a cidadania dos formosenses.  
Eu poderia cobrar de sr. Fábio, como Secretário de Pesca ou como cidadão formosense, ao menos uma presença, ainda que fortuita, a um dos eventos do 10 de agosto nestes últimos cinco anos, e que visaram a celebração do nome  do nosso herói? Eu poderia cobrar o Sr. Fábio uma sessão memorável com os pescadores para celebrarem o feito do pescador Francisco Magalhães?
Sr. Tiago, um dos apoiadores da candidatura de sr. Jucelino é o sr. Auriberto.  Nos últimos oito anos, sabem todos, ele atuou como Secretario de Educação e Cultura do nosso Município. Pois bem, há seis anos me encontrei com ele na Soparia da Zeza e explanei pra ele largamente o episódio da Matança de Agosto de 1877 e sugeri que a Secretaria assumisse a divulgação da nossa história. Mas, não obtive dele nenhum comprometimento. Eu poderia cobrar dele o engajamento na luta pelo avivamento da memória de Francisco Magalhães?
Sr. Tiago, eu sei de cor o nome de todos os professores e comunicadores sociais que por decisão profissional agendaram e cumpriram a transmissão do conhecimento da nossa história aos alunos. E sei também, Sr. Tiago, que a decisão e o empenho dos brilhantes professores não se estendem ao Secretário de Educação.
Outro ilustre apoiador da chapa Jucelino/Fábio é o meu amigo professor José Carlos, filho de pescador e legítimo formosense. Em 1995, conversei com ele longamente sobre a saga de Francisco Magalhães. Disponibilizei pra ele toda a minha pesquisa e pedi a ele que como professor e vereador, à época, expandisse para os alunos a história que certamente os orgulharia. Voltei a conversar com ele sobre o mesmo propósito em 2012 sob o testemunho da professora Josidalva Brito. No dia 10 de Agosto passado, na Praça Eliza Carlota, enquanto eu esperava o recital da Abanfar que me emocionou e me encheu de orgulho, eu também esperava o professor José Carlos que me garantiu, traria uma guirlanda para homenagear Francisco Magalhães. O senhor estava lá e também sabe da ausência do professor José Carlos.
Se fiz essa retrospectiva o meu único intento foi lhe mostrar a ausência contumaz dos nomes que o senhor quer impor como legítimos herdeiros na empreitada do avivamento da memória de Francisco Magalhães. E não por falta de interesse meu ou por mesquinharia política.
Devo lhe esclarecer também que quando conversei com o sr. Queiroga tratamos da construção do Espaço Cultural Francisco Magalhães. Eu não pude responder a ele quanto custaria a obra. Mesmo assim ele considerou a necessidade de estudar para incluir, a depender da Câmara de Vereadores,  no orçamento de 2018, já que o de 2017 está sendo preparado agora neste ano para ser executado em 2017.
Sobre a grandeza e a importância de Francisco Magalhães ele já estava convencido pelas leituras que tinha feito, como me informou.
Eu disse, e continuo pensando a mesma coisa: que me parece oportunismo eleitoral a inclusão da construção do Espaço Cultural Francisco Magalhães no plano de governo do seu candidato porque o nosso herói nunca foi tema da preocupação do seu grupo político. Fosse, Sr. Tiago, o seu nome a cabeça da chapa para prefeito pelo seu partido eu faria a minha adesão agora ao seu nome.
 Se o senhor atentou para a minha exposição certamente estará de acordo com a minha análise de oportunismo político.
Sr. Tiago, Francisco Magalhães é brasileiro, potiguar e formosense. Por isso, não pode ser sequestrado por um grupo político que se intitula herdeiro único do seu heroísmo. Francisco Magalhães é espelho para os formosenses e para todos aqueles que, embora não tenham nascido aqui, escolheram viver em Baía Formosa. Eu me incluo nessa categoria.
         O senhor me pede, entretanto que “Não valorize mais a história do que o povo”. O que isso quer dizer? Quer dizer que eu estou valorizando uma história que o povo não valoriza? Ou que eu não queira ser mais do que um formosense? Ora, sr. Tiago, não me julgo superior a nenhum formosense e também não me julgo menor.
 Sr. Tiago , ninguém valoriza o que não conhece. Onde estavam os professores formosenses  que não buscaram conhecer e não transmitiram para o povo a sua história?
Onde está a minha incoerência de pensar que a inclusão do Espaço Cultural Francisco Magalhães, nesta campanha, por políticos que não enaltecem o seu herói, é oportunismo eleitoral? 

                                          Dario Franco