sábado, 25 de março de 2017

Tânia Montoro da UnB





    Postei no Facebook:
    Para não confundir: bem-vindo se grafa com hífen.
   Tânia Montoro curtiu e comentou: Não confundir?
            Pergunta pertinente. Puro eufemismo, Tânia. Você conhece indignação maior do que ser apontado como desconhecedor da língua materna? Analfabetismo é um insulto abominável.
Outro dia, na ótica, falei que tinha ido pegar meus óculos. A atendente olhou o papel do controle que eu tinha entregado e disse:  “aqui tem só um óculos”. Tentei explicar porque tinha falado meus óculos, e ela reagiu: você é professor? Respondi que não. E ela riu e recorreu à autoridade da gerente da ótica para resolver o impasse, e a gerente bateu o martelo: um óculos porque é só um, senhorzinho.
Se eu fosse professor ela poderia ter se rendido. Vale o argumento da autoridade porque ampara o engano e não humilha o descuidado.
Fernanda, minha amiga advogada, como dezenas de outros escrevinhadores das redes sociais, se escuda no argumento linguístico da compreensão da comunicação, embora o concurso exija o completo uso do estatuto da língua, e o linguista não abandone a gramática ao dizer que ela importa menos.
Outra vez eu disse ao moço que da, usado como preposição, não tem acento e ele surpreso indagou: “mudou? Todo dia mudam a gramática.” No meu teclado ainda está com acento. Concordei, por hipocrisia, com um riso amarelo.
Somos todos nós, Tânia Montoro, profundos conhecedores do nosso vernáculo. A questão é que “todo dia mudam as regras”.
O bem-vindo da minha postagem tinha o objetivo de evitar um enorme bem vindo na placa de entrada de Baía Formosa-RN.
O sucesso na revisão ortográfica depende da delicadeza do dizer.
Ou você é pedante.
Não quis lhe confundir. Abração, professora doutora Tânia Montoro.
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