terça-feira, 30 de maio de 2017

O arrependimento dos coxinhas




                                                   Dario Franco

Agora, depois das denúncias contra Aécio Neves, circula, mais do nunca, nas redes sociais a ideia de que os “coxinhas” se enganaram. Ou que estariam arrependidos do apoio dado ao nome daquele senador.
Teria fundamento esse pensamento?
Penso que não.
Sabe porquê ?
Primeiro porque a adesão dos que se pensam elite – os “coxinhas”, como ficaram conhecidos - ao nome de Aécio, por exemplo, tinha e tem como base a discordância das políticas sociais implementadas pelo PT.  
Essa discordância persiste até agora. E se ela persiste, em que eles se arrependeram?
Com o discurso moralista – acabar com a corrupção – pensavam enquadrar só o PT. Não se julgavam honestos, mas se imaginavam blindados.  Confiavam, os “coxinhas”, na capacidade extraordinária do chefão Aécio Neves.
Agora, quando dizem que não têm bandido de estimação, na verdade estão confessando, em face das verdades incontestáveis, que são o afastamento do Aécio Neves do Senado, o pedido de prisão dele e a prisão da Andréa Neves, irmã dele, estão confessando, repito, que não têm como fugir à dura realidade. E que foram atropelados.
Com essa rendição querem nos convencer que nós estamos defendendo um bandido, quando defendemos o presidente Lula. Ora, contra o ex-presidente não conseguiram provar nada. Até a auditoria contratada pelo juiz Moro, a holandesa KPMG, disse que Lula não meteu a mão nas contas da Petrobrás, e até a revista Veja publicou essa notícia, para desespero do juiz de Curitiba. Logo, o Lula não é bandido.  E se Lula não é bandido eu estou defendendo um homem honesto sobre quem não paira nenhum crime.
Mas, posso estar do lado de um homem que a história o identificará com vítima de perseguição de uma justiça a serviço da desonestidade.
Se eu aceitasse que Lula escondeu todos os crimes que cometeu, de uma maneira tão eficiente que nem procuradores e juízes e delegados federais conseguem descobrir, eu estaria dizendo que os investigadores e acusadores e delegados e juízes são incapazes. E não são. Parecem tolos quando tentam mentir achando que são os únicos inteligentes. O Power Point de um tal procurador Dallagnol e a juntada da agenda do Lula no processo, os revelou ridículos, pequenos e mesquinhos, além de fraudulentos.
Já defender o Aécio Neves é certeza que se está a defender um gângster, um corrupto, um narcotraficante que não tem pejo em dizer que mata um delator provável, ainda que sangue do mesmo sangue. Que escuta o amigo, senador Perrella, dizer que trafica droga e apenas ri de satisfação. Não ficou difícil defende-lo. Ficou impossível sem tornar-se igual.
Lembro-me que houve um tempo o PSDB dizia que fora o governo do FHC quem teria implantado as políticas sociais. Diante da galhofa nacional, corrigiram o mote e disseram que “tinha que ensinar a pescar e não dar o peixe”.
As políticas de inclusão social do PT passaram a ser assistencialismo.
O PSDB abandonou, então, a tentativa de cravar a paternidade da inclusão social de 30 milhões. Era um negócio sabidamente compensador do ponto de vista eleitoral dos marqueteiros. E era o PT quem estava fazendo e tinha o crédito popular.  Era preciso, pois, tomar essa bandeira.
Mas, não colou.
Aí os “coxinhas” mudaram a argumentação: acusaram os nordestinos “famintos, analfabetos e preguiçosos” pela relutância em continuar com a política de inclusão social. Acusaram os capiaus de não ter permitido a eleição do Aécio.
Diante disso, o oligopólio midiático retomou com virulência o discurso moralista, único capaz de ser entendido pelos “coxinhas”: o PT é um partido de ladrões e Lula é o maior ladrão do Brasil.
Os representantes da elite e dos “coxinhas” no parlamento inventaram o “mensalão”, mas não conseguiram, com a CPI, mandar para o Superior Tribunal de Justiça – STJ  mesmo com a convicção de que “ele sabia de tudo”,  o nome “maior ladrão” do  “chefe da quadrilha”.
Na falta de provas o judiciário, o STJ, cravou o “domínio do fato” como certeza jurídica e condenou os nomes dos que chegaram até lá, José Dirceu entre outros. E o Lula?
Partiu o judiciário pra a Operação Lava Jato, cujo objetivo é condenar o Lula, com ou sem provas.
Há três anos lutam desesperadamente e esperam condenar o ex-presidente que olhou para os desvalidos. Não precisam mais de provas, provas não provam nada.
Vale a convicção do juiz da república de Curitiba.





quinta-feira, 18 de maio de 2017

Torcida ou Oposição ?



           Dario Franco


Não se deve confundir torcida com oposição política.
Porque na torcida nós temos dois polos antagônicos, e o que os separa é a paixão. Paixão, como se diz, é cega,  não se explica.
oposição são grupos – não necessariamente dois – que lutam pelo melhor destino de todos.  Tem base na razão. Por isso, oposição não é cega, ela se explica.
Quando a torcida é adotada na política todos os torcedores serão prejudicados.
Em Baía Formosa-RN sempre tivemos torcidas. No passado recente, os polos antagônicos, os times, foram Samuel X Zé Parrudo. E essa torcida durou quatro décadas. Agora os polos são Adeilson e Nivaldo.
Por enquanto, nós comparamos a administração do Nivaldo com a administração do Adeilson, que, diga-se, mal começou.
No momento em que o Baía Formosa entrar na composição dos nossos desejos, no momento em que nós nos preocuparmos com o destino de todos os formosenses, nós fundaremos a oposição em Baía Formosa.
Só aí perguntaremos a nós mesmos o que queremos para o Município.
Enquanto formos torcidas só perguntaremos o que queremos para nós e para os nossos. Uma secretaria, um contrato, até fraudado, uma sinecura ou coisa que o valha.
Pela resposta a esta pergunta você saberá se é torcedor ou oposicionista.
O que deve ser feito com o dinheiro público?
1) Deve ser empregado em benefício do Município?
2) Deve ser empregado em benefício do meu bloco partidário?