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terça-feira, 15 de agosto de 2017

A centenária Capela de Nossa Senhora da Conceição



A imagem pode conter: céu e atividades ao ar livre
  
 
 

Na foto de Lu, ei-la simples e bela voltando a sua pureza original, e sem os atavios que por anos molestaram a sua originalidade e as nossas vistas.
Olha, quando Baía Formosa tornou-se Distrito de Canguaretama em 1892, a igreja de Nossa Senhora da Conceição já estava construída e era a principal edificação da então Vila.
Estava ali no Porto como sentinela a cuidar da vida dura e arriscada dos pescadores.
Eu me lembro de que no dia que Doca desapareceu no mar com os seus companheiros, fiquei longo tempo perdido a contempla-la. Acho que eu pedia socorro. Seu frontispício estava visivelmente triste e nós aflitos, e ainda cheios da esperança que nos alimentou e nos sobressaltou por longos dias, até que a ausência foi definitiva. Doca nunca mais se sentaria à sombra do seu oitão para conversar, com Juba, Mariquinha, Ezilda, Tapeta e Dona Nair, sobre as fainas das pescarias de corso e as animadas capturas do voador.
Singela no seu estilo colonial tardio, a centenária capela de Nossa Senhora da Conceição sofreu ao longo das últimas quatro décadas algumas intervenções abusivas e desastrosas.
Por exemplos, um campanário de estilo duvidoso, que foi justaposto à sua fachada principal, e o piso original de tijolo branco que foi trocado sem nenhum respeito ao seu caráter arquitetônico.
Na segunda metade da década de 1960 comentava-se que, sob o pretexto de restauração, a imagem da padroeira teria sido entregue, pelos responsáveis pelo seu zelo, a um funcionário público graduado de Natal.  Era uma admirável escultura portuguesa em madeira de cerca de 50cm. Nunca mais voltou. Esse foi um fato traumático para todos nós baianoformosenses. O roubo de imagens nessa época foi uma febre motivada pela valorização das artes sacra e popular. Nós não escapamos.   
Mais recentemente começou-se um trabalho de restauração e o campanário intrometido, felizmente foi retirado.
O Município bem que poderia declarar a centenária igreja de Nossa Senhora da Conceição como seu patrimônio cultural.
A propriedade continuaria sendo da Igreja Católica, mas qualquer modificação arquitetônica careceria de autorização pública e deveria ser feita com recurso público por se tratar de bem cultural. E seríamos poupados do descaso com o patrimônio cultural.
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