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terça-feira, 5 de setembro de 2017

A Abanfar BF




Não sei quem é o articulista porque o artigo, publicado ontem, 04/09/17, na página da Abanfar, não está assinado.
Mas, ele arrolou dez perguntas, feitas pela população de Baía Formosa, sobre a “banda”. E registrou, com um laivo de ironia, que “as famosas perguntinhas” chegam com Setembro.
Suponho aqui, por puro exercício mental, que a apresentação pública das bandas se dava principalmente, não exclusivamente, em Setembro, na data da Independência, e que isso teria marcado mais fortemente a nossa memória.  Não sei.
Mas, de qualquer sorte, eu me arrisco a dizer que as dez perguntas arroladas pelo articulista mostram um grande apreço da população pelo seu patrimônio musical.
 A população quer ver a exibição da sua joia.
 Quer aplaudir a sua prenda.
 Quer se orgulhar dos seus talentos.
Acho que é por isso que perguntam.
Há, todavia, uma pergunta, a décima ( “Não dá pra montar outro grupo agora para tocar próximo mês?”), sic  que parece irritar particularmente o anônimo articulista. Ele a censura como se se tratasse de uma ignorância. Acho que não é.
       Peço vênia para discordar da interpretação dele.  E faço uma ilustração para me fazer entendido.
Há, em Viena, na Áustria, um coro de meninos: os Meninos Cantores de Viena (em alemão: Wiener Sängerknabem).
Esse coro, formado por meninos com idades entre 10 e 14 anos, tem 519 anos. Evidentemente não são os mesmos meninos, nem o maestro e nem os professores de música e de canto são os mesmos, mas o coro, sim, é o mesmo.
Sabem por quê? Porque o coro é uma organização privada sem fins lucrativos.
Agora eu pergunto não especialmente ao anônimo articulista, mas aos meus ocasionais leitores: por que as nossas bandas duram tão pouco tempo?
O articulista diz que a primeira Banda se chamava Renascer e durou seis anos, foi fundada em 2003 e desativada em 2008; a segunda, Antônio Joaquim da Silva, durou três anos, foi fundada em 2011 e desativada em 2013; e a Abanfar com quatro anos, foi fundada em 2014 e ainda está ativa.
O articulista diz que em 2014 a Abanfar fez uma parceria com a Secretaria de Educação e Cultura para implantar o ensino de música, e que a mesma Secretaria comprou instrumentos musicais. Como o articulista também sou reconhecido e até muito grato.
Mas preciso dizer que foi uma parceria com um governo e não com o Município. Há nisso uma diferença fundamental. Terminado o governo se finda também a parceria. Mas, se ela fosse feita através de uma lei municipal, todo governo que entrasse – e os governos mudam de quatro em quatro anos – estaria obrigado a cumprir a lei.
Uma organização privada sem fins lucrativos também pode ser a solução para a longevidade da banda da cidade de Baía Formosa.
Por que não pensar nesse caminho se pretendemos a consagração da cultura musical no seio da nossa população?
Mudar de opinião e de atitude é uma necessidade, sobretudo quando trabalhamos a construção de um patrimônio coletivo.
Ao escrever esse artigo, minha intenção foi imaginar caminhos para a edificação da cultura musical, por isso, peço desculpas se eventualmente ofendi alguém quando expus o meu pensamento.  
Música e teatro são traços fortemente marcados no modo de expressão cultural dos formosenses.
José Maria Alves Adelino, José Maria Pescador, atraiu para Baía Formosa, nomes famosos do cenário musical brasileiro e hoje, com um CD gravado, participa do festival Som sem Plugs.
Faço a ele a minha homenagem.
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