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sexta-feira, 27 de outubro de 2017

Sob o signo do medo



Dario Franco


O ano era 1968. Num dia de Outubro, num final de tarde, eu recebi em minha casa, na Rua da Cacimba, o emissário Janir Freire que me trazia um recado do latifundiário prefeito Frederico Melo, filiado à Arena, para que eu fosse encontra-lo na casa de Zé Tatai. Zé Tatai era pai do Janir Freire.
Só agora me advirto que das janelas entreabertas, sob os telhados dos alpendres que sombreavam os rostos assustados, desde a casa de Veia de Doninha até a de Carrate e a de Joaquim Santana, me chegava a solidariedade interditada pela opressão do senhor do latifúndio. 


Não cheguei a entrar na casa do pombeiro. Um táxi com as portas abertas, onde já estavam o motorista e o contador da Prefeitura, me recebeu e rumou para a estrada. Eu me sentei atrás, ao lado do prefeito que, com a camisa aberta, exibia um revólver na cintura.
Seguimos em silêncio até que num determinado trecho da estrada de barro, antes de chegar ao pátio da fazenda Estrela, o latifundiário Frederico Melo mandou parar o táxi e desceu. Entendi que era para eu desembarcar também.
Os gritos, as intimidações e as ameaças começaram de imediato. Ele reclamava da eleição do vereador do PMDB Odonilson Santana Duarte para a presidência da Cooperativa de Pescadores recém-fundada.
Devo ao saudoso Manoel Belchior a minha vida. Pois, inesperadamente ele saiu do meio da mata, onde tinha ido tratar o seu roçado, encarou altivamente o latifundiário Frederico Melo e o advertiu sobre o que ele estava fazendo.
37 anos depois, quando a Câmara de Vereadores de Baía Formosa me concedeu, em 1995, o título de Cidadão de Baía Formosa, pedi ao vereador José Carlos, autor do projeto de concessão daquele título, que me desse a oportunidade de receber tão grande honraria das mãos de Séo Manoel Belchior, a quem eu considerava meu segundo pai.
Fui atendido.

Baía Formosa, 27 de Outubro de 2017.




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