terça-feira, 23 de janeiro de 2018

Invasão e ponto de drogas







Há coisa de um ano o prefeito de Baía Formosa-RN Adeilson Gomes-PSD recém-empossado, enviou escavadeira e homens, e derrubou aquele paredão horrendo que fechava a janela da sala de visitas dos baianoformosenses, e que tinha a pretensão, aquele paredão horrendo, de ser a onda “série”.
A Praça Carlota Eliza, e não Eliza Carlota, sobre a qual está-se a falar, parecia se preparar para voltar a ser o point número um. O lugar de congraçamento da juventude. Um lugar de preservação da memória ancestral de Baía Formosa.
Saudou-se como alvissareira aquela ação do prefeito Adeilson Gomes porque ela pareceu caminhar ao encontro da vontade do povo.
Um ano depois, para desencanto de todos, constata-se que, com a queda do paredão horrendo, ameaça-se também sepultar a memória sagrada daquele sítio.
Aquele logradouro, caro leitor, recebeu o nome de Carlota Eliza – era assim que ela se chamava, e não Eliza Carlota como escreveram na placa – , para homenagear uma mulher que dedicou a sua vida à socorrer os necessitados, que elegeu a educação dos filhos como questão maior, e que foi a matriarca de um clã respeitável, e mãe veneranda de dois prefeitos de Baía Formosa, o primeiro e o terceiro, João Biraia e Antônio Tota, respectivamente.
Agora o lugar da Praça Carlota Eliza está abandonado.
 É um espaço urbano imundo e fétido, e virou invasão, como se proclama nos quatro cantos da Cidade.
Pergunta-se, pois, ao prefeito Adeilson Gomes:
 foi para apagar a memória da Cidade,
foi para macular a honra dos cidadãos,
foi para destruir o belvedere
e não para reestabelecer o antigo point de congraçamento da juventude, que se promoveu o espetáculo da queda do paredão?

Baía Formosa, 23 de Janeiro de 2018.
Dario Franco.

segunda-feira, 15 de janeiro de 2018

Impessoalidade. O que é isso? Uma sátira baianoformosense.






 
Clarinha  contou que a cantora da banda olhou a multidão,  viu Alcina e, pelo microfone, saudou a amiga.
Abriu mais os olhos e divisou o rosto inconfundível de Lelis e, com igual entusiasmo, pelo mesmo microfone, emendou: bem-vinda doutora Lelis.
Mas, o afetado secretário municipal, que não foi saudado, parecendo alterado, indignou-se como se diante de uma injúria.
Aí, pôs as munhecas das mãos na cintura, com as palmas voltadas pra fora, e repreendeu a cantora ao pé do ouvido:
- Não ouse repetir outra saudação dessa, viu! Ou... ou ...  Estancou a reprimenda e completou aparentando altivez: - Alcina e Lelis são nossas adversárias políticas. Deu uma “rabissaca” e partiu.
Gerlisse, a cantora da banda, fleumática como uma profissional, com o mesmo microfone repetiu a saudação: amigas, Alcina e doutora Lelis, quanta honra tê-las aqui.
O povo foi ao delírio!
Nessa noite o show da banda no Festival do Hambúrguer estendeu-se por mais duas horas, e foi magnífico, segundo os presentes!
Degustando uma peixada à moda BF, num restaurante da ladeira do Bubu, estão agora os amigos Platão, Heródoto e Churchill.
Platão disse: essa censura do secretário municipal derruba qualquer república. E Heródoto emendou: perseguição a adversários políticos é da velha tradição do coronelismo. Churchill ouviu esses comentários e completou: nenhum município progride com políticos atrasados. Impessoalidade é princípio da administração pública. Perseguição a adversários políticos é ilícito penal. Mas, o secretário municipal é completo ignorante dessas coisas modernas.
Um bajulador que passava de ouvido atento,  entusiasta dos velhos costumes, proclamou em voz alta o mantra já esvasiado  da torcida cinquentaecinco: “deixa o homem trabalhar”!

Baía Formosa, 15 de Janeiro de 2018.
Dario Franco

quinta-feira, 4 de janeiro de 2018

Quem não deve não teme









Ela postou o print  da liminar da Justiça suspendendo provisoriamente a Comissão Especial de Inquérito-CEI da Câmara de Vereadores de Baía Formosa-RN que tem a competência para investigar as improbidades  do prefeito Adeilson Gomes-PSD, e escreveu: “continue.”  
E quando solicitada a dar clareza ao “continue”, ela escreveu o único deboche permitido aos iletrados: kkkkkkk. 

Constato que nunca se escreveu tanto, como nesses tempos de redes sociais.
Constato igualmente que nunca o tolo teve tanta oportunidade de se exibir.
Dito isso, continuo.
O prefeito Adeilson Gomes-PSD pediu à Justiça para não ser investigado pela Câmara de Vereadores de Baía Formosa-RN.
E a Justiça, então, pediu ao Presidente da Câmara Ayrton Tanoeiro-PSD  para ajudá-la a decidir e pediu que ele dissesse alguma coisa sobre esse pedido.
O Presidente está preparando a resposta que enviará proximamente à Justiça.
Enquanto isso eu reproduzo o que falam os cidadãos pelas ruas de Baía Formosa-RN.
Por que o prefeito Adeilson Gomes não quer ser investigado?
Perguntam todos.
E amparados no ditado, completam: “quem não deve não teme”.
Alguns, satisfeitos com a suspensão temporária das investigações, comemoram o passo da Justiça, como se tivesse brilho de vitória. Ouro de tolo.
Sentado junto aos outros, no banco embaixo do Mirante, JF argumenta: Melhor seria investigar. Seria bom pra ele e para os formosenses.
Por que Adeilson Gomes pediu a Justiça que não deixe a Câmara investigá-lo?

Baía Formosa, 4 de Janeiro de 2018.
Dario Franco