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segunda-feira, 15 de janeiro de 2018

Impessoalidade. O que é isso? Uma sátira baianoformosense.






 
Clarinha  contou que a cantora da banda olhou a multidão,  viu Alcina e, pelo microfone, saudou a amiga.
Abriu mais os olhos e divisou o rosto inconfundível de Lelis e, com igual entusiasmo, pelo mesmo microfone, emendou: bem-vinda doutora Lelis.
Mas, o afetado secretário municipal, que não foi saudado, parecendo alterado, indignou-se como se diante de uma injúria.
Aí, pôs as munhecas das mãos na cintura, com as palmas voltadas pra fora, e repreendeu a cantora ao pé do ouvido:
- Não ouse repetir outra saudação dessa, viu! Ou... ou ...  Estancou a reprimenda e completou aparentando altivez: - Alcina e Lelis são nossas adversárias políticas. Deu uma “rabissaca” e partiu.
Gerlisse, a cantora da banda, fleumática como uma profissional, com o mesmo microfone repetiu a saudação: amigas, Alcina e doutora Lelis, quanta honra tê-las aqui.
O povo foi ao delírio!
Nessa noite o show da banda no Festival do Hambúrguer estendeu-se por mais duas horas, e foi magnífico, segundo os presentes!
Degustando uma peixada à moda BF, num restaurante da ladeira do Bubu, estão agora os amigos Platão, Heródoto e Churchill.
Platão disse: essa censura do secretário municipal derruba qualquer república. E Heródoto emendou: perseguição a adversários políticos é da velha tradição do coronelismo. Churchill ouviu esses comentários e completou: nenhum município progride com políticos atrasados. Impessoalidade é princípio da administração pública. Perseguição a adversários políticos é ilícito penal. Mas, o secretário municipal é completo ignorante dessas coisas modernas.
Um bajulador que passava de ouvido atento,  entusiasta dos velhos costumes, proclamou em voz alta o mantra já esvasiado  da torcida cinquentaecinco: “deixa o homem trabalhar”!

Baía Formosa, 15 de Janeiro de 2018.
Dario Franco
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