terça-feira, 20 de fevereiro de 2018

Prestando contas.



1. Por que faço oposição ?

Decorrido mais de um ano da eleição de Adeílson Gomes-PSD para a chefia do Executivo Municipal de Baía Formosa-RN, mantenho-me na oposição, agora ao seu governo, mas pelo mesmo motivo que me fez rejeitar a sua candidatura: o comprometimento e a apropriação da coisa pública em benefício dos seus interesses privados, além da
perseguição aos adversários e do populismo primário e estéril, claro está.

2.  PT em BF é partido fisiológico.

Também rejeitei a candidatura do "filho da terra", nessa campanha eleitoral de 2016,  precisamente por conta do seu slogam: "uma oportunidade para um filho da terra" proclamado e defendido com exacerbação pela coligação PDT/PT, agora compondo a base fisiológica de apoio ao prefeito.
Ainda acho que o que se deve buscar é uma oportunidade para todos os filhos da terra.
O candidato, em causa, o Jucelino, tem grupo definido desde os anos 1980. 
E a  última composição do PT municipal teve o intuito de servir de sigla de aluguel ao PDT.
É uma facção que não tem feito bem à poltica, mas tem se dado bem na política.
Uma vaga de vice-prefeito aqui, uma secretaria ali, um assento no parlamento por vezes.
E xenofobismo é um preconceito perigoso.

3. Por que apostei no (P) MDB ?

Num cenário político nacional com o então PMDB protagonizando um golpe de Estado, o Diretório Municipal desse partido em Baía Formosa- RN, corria, naquela campanha eleitoral de 2016,  na contra-mão e apontava para o respeito institucional e para a precisa demarcação dos campos público e privado.
Não tive dúvidas. Defendi a candidatura de José Otávio Queiroga-MDB, precisamente pelo grau de consciência e de respeito aos espaços  onde se situam e se delimitam  o bem  público e o bem particular que a sua campanha exibiu sem subterfúgios, e assumindo conscientemente o risco  de perder simpatizantes da candidatura Queiroga para a cooptação dos apoios fisiológicos. Todos conhecem a prática venal de cooptação dos apoios declaradamente fisiológicos.
Mas, não subi no palanque nos dias em que Garibaldi e Henrique Alves, traidores do povo, lá estiveram.

4. Todos embarcaram na aventura.

É bom lembrar que todas as lideranças políticas já consagradas no Município rejeitaram o propósito do Dr. Queiroga ou omitiram apoio declarado a sua candidatura. Samuel, Parrudo, Luciano,  Ivanuza e outras lideranças menores compuseram com Adeílson. 
Nivaldo escolheu o silêncio. Era mais estratégico para o seu projeto familial de retornar em 2020. Ambição que a sua torcida não arrefece. A mim não satisfaz nem me cconvence um projeto pessoal. 
Quando se declarou a saída dos vereadores da base do prefeito Adeílson , Nivaldo, ausente até então, foi chamado pela torcida  primeiramente para a fotografia. E parou por aí.  Queiroga foi sequestrado  depois  para apoiar a nova formação e render homenagens ao líder dos torcedores. 
Queiroga não tinha e não tem projeto para um grupo nem para ele mesmo. Ele sequer tem grupo político. Grupo só de bons e numerosos amigos. Queiroga é um anfitrião generoso. Politicamente é um democrata pleno. Mas é, sobretudo, um advogado bem sucedido que enxerga com grandeza o Município.
Ao longo de mais de quarenta anos apostou em sucessivas candidaturas. Com o seu registro como candidato a prefeito, Baía Formosa nunca tinha tido um candidato de tamanha envergadura. 

5. Maioria oposicionista na Câmara vai se sustentar?

Até agora me mantenho defendendo  e  afirmando uma oposição inédita na história política de Baía Formosa-RN, e combatendo a torcida que, entranhada no organismo social, como doença maligna, nos cega e nos atrasa.
Avalio que afirmou-se pouco aquela oposição embrionária.
Para não faltar com a verdade para comigo mesmo,   devo dizer que a vejo como um embrião com pouca chance de prosperar. Ela só foi fecundada em Dezembro/17 quando alguns vereadores se retiraram da base governista.
É que a ética que nutre  governantes e governados, ao longo desses cinquenta e nove anos de emancipação administrativa , é a do atendimento prioritário dos projetos,  interesses e aspirações individuais. Predomina o valor moral invertido do bem particular acima do bem coletivo. Por isso, troca-se o voto por um bem pessoal. Nunca por um bem coletivo.

6. Para onde ruma BF ?

Nessa formação de uma oposição capaz de criar uma nova trilha para a ascensão da sociedade formosense, um fato justificou a minha luta até agora: a composição na Câmara de Vereadores de uma inédita bancada majoritária de oposição.
Uma realidade, aliás, que ainda não  convenceu completamente o eleitorado de oposição,  nem o situacionista. Todos ainda lembram do histórico da arrumação  para a eleição de Adeílson. 
Mas , graças  àquela composição no Parlamento foi possível que se recebesse uma denúncia contra o prefeito. Julgo que a defesa do alcaide buscará a tese do "vício de processo", com chance de vitória, em face do despreparo técnico dos vereadores.
Mas, julgo que nos falta um líder que conduza a travessia dos formosenses  para a terra prometida onde o bem comun será  maior do que a satisfação egoísta de candidatos que se apropriam da fortuna que pertence a todos.

Quem sabe, uma liderança está a se maturar no seio da juventude.

Baía Formosa,  20 de Fevereiro de 2018.

Dario Franco

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